A imprensa gaúcha também é vermelha


Diferentemente do que muitos imaginam, procuro não pautar as minhas atitudes no meio do futebol por fatos que dizem respeito ao coirmão. Tenho convicção de que o principal é cuidar da própria casa para que, com isso, atinjamos resultados positivos.

Aqui no Rio Grande do Sul tem sido uma constante o respeito mútuo entre as direções dos dois maiores clubes, à exceção de alguns poucos bufões.

Como é sabido por aqueles que acompanham a vida do futebol, eu não tenho sangue de barata. Já faz algum tempo que venho lendo na Jus Azul, tanto pela mão do colunista anterior, quanto pela do atual, que no Rio Grande do Sul viceja a tal de “IVI” (Imprensa Vermelha Isenta).

Para a surpresa geral, sou obrigador a concordar. Todavia, chamo a atenção dos ilustres articulistas para que não restrinjam egoisticamente a avaliação quantitativa a uma única atividade no Estado. Sigam, sem nenhuma seletividade. Levantem os números e a proporcionalidade. Se atentarmos para torcedores das elites até as camadas mais populares, é forçosa uma única conclusão: somos esmagadoramente superiores!

Para rebater tal afirmação, não me venham com enquetes e pesquisas feitas por revistas de moda, por saites das elites, pesquisas encomendas, etc. Nós temos exemplos concretos: temos a maior frequência nos jogos, construímos sozinhos um estádio, atingimos um patamar de sócios incomparável com os demais clubes, vendemos mais camisetas, etc. Esses são os fatos, gostem ou não gostem.

O que nunca li nas colunas referidas e citadas, é uma análise um pouco mais aprofundada acerca do papel da imprensa em geral e, aqui em específico, a imprensa esportiva. É óbvio que afasto de imediato aquele tipo de crítica à imprensa que é sistematicamente adotada para “justificar” fragilidades. Por exemplo, foi o que escutei recentemente do ministro Gilmar Mendes e, ainda, no derradeiro discurso do ex-presidente Lula.

Fosse assim, eliminar-se-ia a imprensa - e todas as mazelas da sociedade brasileira estariam resolvidas. É o remédio sendo eliminado como solução para a doença.

Discordo da adoção de um critério generalista que atribui ignorância e ingenuidade aos leitores, telespectadores, ouvintes e internautas. Acredito que, de modo geral, o povo tem sabido filtrar as informações e verificar quando alguma delas tende à irresponsável manipulação.

No futebol essa realidade é ainda mais expressiva, tanto que o público conhece profundamente a realidade de seus clubes. Além disso, falo de cadeira, pois foi uma das minhas atividades durante quase uma década no S.C. Internacional, a construção de canais de comunicação diretos entre o clube, seus associados e torcedores.

Em determinado período conseguimos fazê-lo de forma absoluta, tanto que que em várias oportunidades, ao noticiar algo referente ao Internacional, os veículos afirmavam: “Só falta ser confirmado pelo saite do Internacional”. À época, contávamos com oito profissionais da imprensa que, graças ao trabalho sério, transformaram nossos incipientes veículos de comunicação em portais da informação.

Dos colorados das elites às camadas mais populares do nosso Estado, e forçosamente constatarão que, considerando a maioria, os trabalhadores das demais atividades também são vermelhos. Apenas para afastar a confusão, não estou me referindo a partidos políticos, mas a clube de futebol.

Por outro lado, a realidade não determina comodidade. Os jornalistas “vermelhos”, por torcerem, no seu íntimo, para o Internacional, são extremamente exigentes com o clube, eis que desejam sempre o melhor. Para eles o bom é ruim; e o ruim é pior.

Apesar da insistência que repete uma inverdade no intuito de transformá-la em verdade, os articulistas da Jus Azul nunca abordaram qual seria o papel dos proprietários dos veículos de comunicação em caso de eventual manipulação e que certamente não ocorre.

Por fim, é pueril imaginar que no Rio Grande do Sul as pessoas não tenham preferência clubística.

Todos têm!
............................................................................................................................................................................................

- Roberto Siegmann escreve Jus Vermelha às sextas-feiras. Contato: roberto@SiegmannAdvogados.com.br

- Lênio Streck escreve Jus Azul às terças-feiras. Contato: lenios@globomail.com