Ir para o conteúdo principal

Edição de TERÇA-feira, 13 de novembro de 2018.

Tentar induzir que não há falhas na magistratura é quase utopia



Passo Fundo, 4 de agosto de 2017.

Ao
Espaço Vital

Ref.: “Da cabeça de juiz ninguém sabe o que vem

Manifesto-me hoje sobre a carta de leitor enviada pelo presidente da Ajuris. Inicialmente destaco que o intuito do artigo repudiado pelo magistrado nunca foi depreciar o Poder Judiciário, ou seus membros.

No momento atual que perpassa o país, infelizmente, vem se propagando uma cultura que coloca não só a política, mas também a justiça e a classe da advocacia em descrédito com a sociedade.

Na mesma linha, há um comodismo geral da população. O aumento da gasolina (que também atinge magistrados), a votação da última semana que impediu o prosseguimento do processo contra Michel Temer, as reformas trabalhista e previdenciária, embora tudo em contrário à vontade da maioria da sociedade são resultados, efetivos, da conformação e sentimento de impotência dos cidadãos.

A conjunção culmina com os próprios ‘representantes do povo’ votando contra ele, a contrário da época que marcou o país com panelaços e manifestações, onde se angariou parte do que se pleiteava.

Já para aqueles que não se acomodam, diariamente vê-se casos de ‘justiça com as próprias mãos’ ou represálias daqueles que não sabem lidar com críticas construtivas e, em tese, possuem maiores condições e atenção.

Assim como fez Danilo Gentili ao responder à notificação de Maria do Rosário, contudo, de forma respeitosa, busquei demonstrar, como cidadão, que os magistrados são, antes de tudo, servidores públicos e que todos os jurisdicionados possuem o direito de cuidar, fiscalizar e até mesmo manifestar sua opinião, sobretudo em relação a dados públicos, como no caso, não podendo ser censurados.

A eterna busca pela uniformização do entendimento jurisdicional é na tentativa de consubstanciar a ideia de tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, pois não é incomum casos análogos possuírem decisões distintas cabendo ao advogado explicar ao cliente.

Com toda razão em sua resposta o presidente da Ajuris, quanto à utilização de assessores e estagiários na vida forense. Mas tentar induzir que não há falhas na magistratura é quase utopia, pois todos são seres humanos e estão sujeitos a erro (tanto médicos, empresários, advogados, etc.).

A intenção é a de diminuir esses erros e demonstrar que existem pessoas preocupadas e atentas, assim como já informei em outro artigo direcionado a este espaço em que “um desembargador” tinha “dois entendimentos contrapostos”, ao julgar dois diferentes agravos de instrumento interpostos contra a mesma decisão e com objetivos conflitantes.

Tenho ciência que uma pessoa apenas não irá mudar todo um sistema. Mas a partir do momento em que mais pessoas comecem a ver o mundo da mesma forma, a desunião que hoje toma conta das classes será superada.

Repito: busco o fim da conformação e do sentimento de impotência dos cidadãos.

Atenciosamente,

Carlos Andrades Kadziola, advogado (OAB-RS nº 97.100)
brd.carlos@gmail.com

· Leia a carta de leitor do presidente da Ajuris

· Leia o artigo.Clique aqui.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de revv.info

Juizite paulista

 

Juizite paulista

Com o título de “Desabafo acerca do absurdo que ocorre no Tribunal de Justiça de São Paulo”, o advogado gaúcho Alex Jung (OAB-RS nº 48.974) relata uma cena da rotina advocatícia.

A advocacia do dia a dia faliu

“Nesta época do império da estagiariocracia e da lerdeza processual, os advogados militantes se deparam com ordens sem qualquer sentido, isto sem falar na falta de bom senso e na incoerência”. Carta do advogado Newton Domingues Kalil (OAB-RS nº 7.061)

Arte de Camila Adamoli

   Para quem gosta de tartarugas

 

Para quem gosta de tartarugas

“Pelo menos um mês para juntar uma simples petição - e depois, só Deus sabe quanto tempo, para publicar o despacho”. E o desabafo de um advogado porto-alegrense: “o que será de nós, que dependemos destes criatórios de tartarugas para ganhar o pão de cada dia?”.