Ir para o conteúdo principal

Sexta-Feira, 17 de Novembro de 2017

Iniciativa sexual feminina proibida



Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Era uma apelação em causa de família – um irreconciliável divórcio litigioso e, nele, a conclusão no acórdão foi reveladora: "O choque de culturas vertido pela antiga tradição familiar japonesa é a causa do fracasso no casamento".

E, assim, o julgado pôs fim ao matrimônio de um casal de japoneses, moradores de cidade gaúcha, depois de vários meses de desavenças.

Ele viera ao Brasil ainda menino e ela, 15 anos depois, já moça – quando os costumes orientais tinham sido modificados. Conheceram-se em Porto Alegre, onde também casaram.

Diferença etária: 16 anos.

Ele ocupava as horas livres lendo sobre a cultura samurai; ela gostava de teclar no notebook e tinha amigos no Facebook.

Ele não permitia que ela se relacionasse com vizinhos; exigia-lhe sempre usar saias compridas. E quando os dois brigavam e a esposa saía de casa, ele não permitia que ela voltasse ao lar no mesmo dia; nem perguntava o nome da amiga em cuja casa ela passara a noite.

Na rua, quando caminhavam, ele exigia que, na mesma calçada, ela se postasse atrás dele.

O marido impunha à mulher o jugo da submissão” – resumiu o relator, depois de evocar a fala de uma testemunha, também japonesa, que informara que “o conflito conjugal era motivado pela total diferença de pensamentos deles".

Outro depoimento revelou que "ele é um homem trabalhador e honesto, mas exigia da esposa, no Brasil, o mesmo padrão de 40 anos atrás no Japão: proibição de dirigir veículos; não levantar a voz; nunca sair de casa sozinha".

Uma terceira testemunha completou que "ela é uma mulher séria, mas moderna, apegada aos padrões culturais e intelectuais dos tempos atuais, instrução superior”.

Em primeiro grau, a sentença afirmara que o casamento findara por culpa só do marido, sendo improcedente a reconvenção que ele propusera contra a mulher.

Na apelação que interpôs – e que foi provida em parte pela Câmara – os desembargadores decidiram pela “culpa concorrente, justamente representada pelas profundas diferenças em seus respectivos jeitos de viver".

O relator arrematou com um detalhe revelador: “No depoimento pessoal, a esposa contou seu desconforto pessoal porque o cônjuge não permitia que ela tomasse a iniciativa das relações sexuais”.

Permaneceu o silêncio na pequena plateia e o presidente arrematou: “Esse detalhe sobre a reserva conjugal não vai no acórdão. Vamos ficar só no choque de culturas!”


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

A banheira do Foro Central

 

A banheira do Foro Central

Em meio às obras de reforma do prédio antigo, a descoberta no subsolo: uma banheira! Não era nova, tinha indícios de uso, exibia arranhões – o que afastava especulações de que se tratasse de uma extravagância nova de algum ordenador de despesas. Então surgiram as brincadeiras compreensíveis que se misturaram a boatos absurdos.

Kauer ideia e imagem - Vendemos ideias que vendem

Vibração no Supremo!

 

Vibração no Supremo!

A tarde de quinta passada foi aziaga no Supremo.  Além das mútuas flechadas verbais entre Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, a segurança resolveu dar uma dura na revisão dos pertences pessoais dos operadores jurídicos que chegavam. Apareceu de tudo: biscoitos de polvilho, determinados cigarros, géis, etc. e até um... vibrador. Não foi revelado se era para uso masculino ou feminino.

Charge de Gerson Kauer

A defesa da honra

 

A defesa da honra

Em comarca do Interior gaúcho, “um homicídio de autoria desconhecida”.  A cidade era de violência zero e nada indicava que o homem tivesse sido vítima de latrocínio ou vingança. Veio então a intrigante conclusão do laudo policial: “O exame cadavérico constatou lesões internas; e no peito da vítima havia uma marca semicircular, em formato de ferradura”.

Gerson Kauer

Pernas maravilhosas

 

Pernas maravilhosas

A fábrica brasileira de calçados deu asas a um italiano. Ele era representante de empresa estrangeira que adquiria produtos fabricados na região calçadista. Mas passou a ter interesse paralelo nas pernas das empregadas da indústria...

Gerson Kauer

“Você não está filmando, né?...”

 

“Você não está filmando, né?...”

Cenas íntimas - de um casal que se formou na balada - pulularam na Internet. Depois virou caso judicial, com ações penal e cível. No julgamento desta, o juiz registrou que “mesmo que ela tivesse consentido com as gravações, jamais estava o parceiro sexual autorizado à divulgação posterior.