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Edição (antecipada) de sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018.

A banheira do Foro Central



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

De repente, na semana passada, em meio às obras de reforma do prédio antigo do Foro Central de Porto Alegre, a descoberta no subsolo: aparecera uma banheira. Não era nova, tinha indícios de uso, exibia arranhões – o que afastava qualquer especulação maldosa de que se tratasse de uma nova extravagância de algum ordenador de despesas.

A “rádio-corredor” da OAB ficou sabendo e difundiu a novidade. Acrescentou que talvez o presidente da Casa simplesmente informasse a descoberta ao Conselho Seccional, em sua próxima reunião.

No Ministério Público, um erudito procurador de justiça aposentado - que teria furtivamente visto o objeto - detalhou na sua habitual forma rebuscada de falar: “Trata-se de um médio e nada opíparo objeto de louça, que se enche de água e no qual se pode sentar ou deitar o corpo e banhá-lo por imersão, para fins higiênicos ou terapêuticos”.

Em meio à poeira da reforma, um agente de segurança delirou: “Lembro dos tempos do Doutor Fulano. Às sextas-feiras, final de tarde, na primavera e no verão, ele subia para o terraço, onde gostava de ver a chegada do anoitecer - depois descia para o seu banho repousante, numa banheira parecida com esta”.

E por aí se foram as histórias, abordando até a origem vitoriana das banheiras. Não faltou quem lembrasse do imperador romano Marco Antonio que, no ano 83 a.C., costumava receber a amada Cleópatra, quatro vezes por mês, para banhos de leite de cabra – tomados a dois, claro – em grandes panelões de ferro fundido.

Para estancar as brincadeiras compreensíveis que se misturavam a boatos absurdos, o diretor do foro foi em busca de detalhes e identificou o objeto como propriedade da empresa que realiza a reforma, a Tecon Tecnologia em Construções.

Esta tratou de informar, por escrito, que “a banheira presente no subsolo da reforma veio de outra construção para fins de descarte ou revenda, encontrando-se apenas aguardando a destinação correta”.

Não há controvérsias! Ou há?...


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