Ir para o conteúdo principal

Edição (antecipada) de sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018.

Predileção por lâmpadas vermelhas



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

No século passado, as casas de prostituição situavam-se fora das cidades, geralmente em beiras de estradas. Para diferenciá-las das residências, os proxenetas e/ou as cafetinas mandavam instalar luzes vermelhas, para que todos soubessem que ali era uma casa onde se encontrava sexo mediante dinheiro.

Um pouco estagnado no tempo e sem ter reformulado os seus conceitos, determinado magistrado solteiro – nos anos 90 – após ter passado o fim-de-semana em Porto Alegre, subia a serra gaúcha, dirigindo seu incrementado Opala pela BR-116. Era uma noite cálida de meados de dezembro.

Solitário, cansado e sonolento, o juiz seguia rumo a um hotel serrano, onde pernoitaria para, às 10 da manhã seguinte, tomar posse como titular de uma vara trabalhista da região.

Trinta quilômetros antes do destino, o magistrado vislumbrou, à direita, uma casa, estilo italiano, de onde pendiam displicentes lâmpadas vermelhas – daquelas antigas de 30 anos atrás.

Como houvesse aparentemente estacionamento disponível, o cidadão-juiz foi chegando com seu carro. Deu duas buzinadas, desembarcou e logo galgou a escadaria da casa, adentrando à sala – de porta aberta - que estava às escuras.

- Meninas, cheguei! – bradou fagueiro e oferecido.

Antes que pudesse ambientar-se, o visitante foi alcançado por vigorosas vassouradas de uma provecta senhora cinquentona, que detonava palavrões contra o indesejado intruso:

- Aqui é casa de família, seu f-d-p!

Forçado a retirar-se, o doutor juiz não teve tempo, sequer, de explicar seu equívoco. Pensara que a residência familiar - modestamente adornada por lâmpadas vermelhas que convidavam a uma digressão natalina – fosse uma “casa de tolerância”.

Já aposentado, o magistrado ainda é (dezembro de 2017) “chegado numa luz vermelha”.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

A falta de provas

 

A falta de provas

Dois dias depois do julgamento de segundo grau que condenou o ex-presidente da República, começa um cursinho de Direito, com duas dezenas de jovens que aspiram o ingresso na magistratura. Na aula inaugural, o professor de Direito Penal conta uma história conjugal: um político militante desconfiava que sua esposa era adúltera. Então...

Charge de Gerson Kauer

O sexo e a vizinhança

 

O sexo e a vizinhança

Periodicamente, em um prédio da Independência, ouve-se o eco de tapas seguidos de gemidos altos. Os vizinhos já sabem que, em seguida, haverá muitos gritos decorrentes de cenas explícitas de sexo. O caso chega a Juízo. A juíza convida o casal participante e os vizinhos “à tolerância e à moderação, pelo bem social”.

Charge de Gerson Kauer

O que (também) se faz no casamento?

 

O que (também) se faz no casamento?

Era o julgamento de uma apelação que buscava a anulação de um casamento, porque o homem se recusava ao relacionamento sexual. Até que o desembargador vogal descontraiu a discussão jurídica: “Dentre as finalidades do casamento está o relacionamento sexual - embora ninguém case só para isso, mas case também para isso”.

Charge de Gerson Kauer

Audiência de acareação

 

Audiência de acareação

Defronte ao juiz, no foro e perante os habituais personagens da cena forense, quase um engano atroz da idosa vítima de um crime sexual. Ela não identifica o preso como o autor da violência. E, espantosamente, ela passa a desconfiar do advogado de defesa!...

Charge de Gerson Kauer

O advogado, a juíza e o galo eficaz

 

O advogado, a juíza e o galo eficaz

É época de grande feira de tecnologia agropecuária e agroindustrial. Um profissional da advocacia (também exitoso fazendeiro e ágil criador e exportador de galinhas) está junto ao balcão do bar do hotel cinco estrelas, empunhando uma taça de champanhe. De repente, aproxima-se uma magistrada – conhecida dele - que denotava felicidade.

Charge de Gerson Kauer

Sexo tântrico interrompe festinha infantil

 

Sexo tântrico interrompe festinha infantil

De repente, bateu o telefone no quartel da Brigada, numa cidade da fronteira gaúcha. A voz reclamante denotava irritação: “Tem um casal tarado, fazendo sexo de tal jeito, na casa aqui ao lado, que está escandalizando as crianças que vieram ao aniversário do meu filho”.