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Edição de TERÇA-feira, 13 de novembro de 2018.

Predileção por lâmpadas vermelhas



Charge de Gerson Kauer

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No século passado, as casas de prostituição situavam-se fora das cidades, geralmente em beiras de estradas. Para diferenciá-las das residências, os proxenetas e/ou as cafetinas mandavam instalar luzes vermelhas, para que todos soubessem que ali era uma casa onde se encontrava sexo mediante dinheiro.

Um pouco estagnado no tempo e sem ter reformulado os seus conceitos, determinado magistrado solteiro – nos anos 90 – após ter passado o fim-de-semana em Porto Alegre, subia a serra gaúcha, dirigindo seu incrementado Opala pela BR-116. Era uma noite cálida de meados de dezembro.

Solitário, cansado e sonolento, o juiz seguia rumo a um hotel serrano, onde pernoitaria para, às 10 da manhã seguinte, tomar posse como titular de uma vara trabalhista da região.

Trinta quilômetros antes do destino, o magistrado vislumbrou, à direita, uma casa, estilo italiano, de onde pendiam displicentes lâmpadas vermelhas – daquelas antigas de 30 anos atrás.

Como houvesse aparentemente estacionamento disponível, o cidadão-juiz foi chegando com seu carro. Deu duas buzinadas, desembarcou e logo galgou a escadaria da casa, adentrando à sala – de porta aberta - que estava às escuras.

- Meninas, cheguei! – bradou fagueiro e oferecido.

Antes que pudesse ambientar-se, o visitante foi alcançado por vigorosas vassouradas de uma provecta senhora cinquentona, que detonava palavrões contra o indesejado intruso:

- Aqui é casa de família, seu f-d-p!

Forçado a retirar-se, o doutor juiz não teve tempo, sequer, de explicar seu equívoco. Pensara que a residência familiar - modestamente adornada por lâmpadas vermelhas que convidavam a uma digressão natalina – fosse uma “casa de tolerância”.

Já aposentado, o magistrado ainda é (dezembro de 2017) “chegado numa luz vermelha”.


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