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Edição de terça-feira , 22 de maio de 2018.
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Depois de 17 anos, o nocaute de Paulo Maluf



HUMOR POLÍTICO - Charge de Luiz Fernando Cazo

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O adestrador de tartarugas forenses

Político há 48 anos, Paulo Salim Maluf, 81 de idade atual, chegou a, anos a fio, figurar em 1º lugar na lista dos políticos brasileiros réus do maior número de ações judiciais. Ainda assim, jamais passou mais do que uma temporada, em 2005, de meros 41 dias na cadeia: foi uma prisão preventiva pela acusação de coagir testemunhas no processo que, esta semana o levou afinal a nocaute jurídico.

Entre o início da investigação (1990) sobre o desvio de recursos da obra da Avenida Água Espraiada, em São Paulo (SP) - atual Avenida Roberto Marinho - e a ordem de prisão expedida na última terça-feira (19) pelo Supremo, passaram-se 17 anos. Algo como 6.200 dias.

Nesse longo tempo, Maluf e seus advogados souberam – quais hábeis instrutores de plácidas tartarugas forenses - dar vida longa às chicanas, explorando todos os recursos protelatórios disponíveis e aproveitando-se do frequente andar de pachorra da Justiça brasileira.

O tempo também trouxe vantagens ao deputado: a prescrição de algumas ações judiciais; o benefício por ter completado (em 2001) 70 de idade; livrar-se da Lei da Ficha Limpa na eleição de 2010, mesmo condenado por um colegiado por improbidade administrativa na ação do superfaturamento do túnel Ayrton Senna. No caso, sua hábil defesa convenceu a Justiça eleitoral de que “a improbidade cometida tivera caráter culposo e não doloso”.

Também consta no currículo de Maluf, até hoje, a presença dele na lista dos procurados pela Interpol, com ordem de prisão em 188 países – situação que, apesar de seus forrados recursos financeiros, fê-lo recluso a não poder mais viajar além das fronteiras brasileiras.

Dele dizia-se ser praticante da frase “Eu roubo, mas eu faço” – que ele sempre negou.

Centenas ou milhares de vezes, Maluf jamais admitiu ter cometido crime de corrupção. Um outro bordão passou, recentemente, a ser a sua principal retórica: “Não tenho nem nunca tive conta no exterior”.

Seu currículo passa a ser integrado pela condenação definitiva a cumprir sete anos, nove meses e dez dias de prisão. Compactamente, 2.835 dias.

 Virgindade e vagabundagem

· Horas antes de iniciar o recesso na terça-feira (19), o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, mandou notificar o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) a apresentar defesa em até 15 dias, numa ação penal movida por Caetano Velloso por injúria e difamação. É que o parlamentar está questionando, nas redes sociais, por que o Ministério Público não pede a prisão do artista já que “é possível encontra-lo dizendo que tirou a virgindade de uma menina de 13 anos”.

Entre o ajuizamento da ação e o despacho inicial do ministro passaram-se rápidos quatro dias. (Pet. nº 7.415)

· Enquanto isso, dormita – desde agosto - no gabinete do ministro Alexandre de Moraes uma ação contra outro deputado da bancada da baixaria, Wladimir Costa (Solidariedade-PA). É aquele político cuja paixão por Temer levou-o a fazer uma tatuagem temporária no ombro, com o nome do presidente).

O deputado falastrão e puxa-saco chamou Glória Pires, Letícia Sabatella, Wagner Moura e Sônia Braga de “vagabundos”. (Pet. nº 7174).

 “Maneira educada”

O PT está orientando seus militantes a reclamarem em massa à ouvidoria do TRF da 4ª Região, onde Lula será julgado no dia 24 de janeiro.

Por meio das redes sociais, o partido informa o link de acesso à corte regional e dá orientações sobre o teor das reclamações: “Nós podemos complicar a vida dos golpistas e não facilitar para eles”.

A meta é encher a caixa de mensagens da ouvidoria, mas com uma ressalva: “De maneira educada e sem ofensas”.

 Agora férias

O colunista expressa um “até breve” aos prezados leitores. Imprescindível para a saúde mental de todos os que labutam, as férias serão gozadas nas próximas semanas. O Espaço Vital entra em “recesso” e – nesse período - a nossa página inicial reprisará os 12 Romances Forenses mais lidos de 2017.

Saúde e paz aos leitores! O reencontro rotineiro fica marcado para a terça-feira 6 de fevereiro. Até lá, na expectativa de um Brasil melhor.


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