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Edição sexta-feira , 13 de julho de 2018.
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Feliz Ano Novo, ou nem tanto



O passar dos dias do calendário para que em um determinado, no último do ano e na hora da virada renovemos as nossas esperanças, constitui-se em artificialidade litúrgica, pois podemos renová-las diariamente. Com certeza, a minha convicção originou-se no conhecimento, ainda quando criança, de que as esperanças de uns se renovavam antes do que as de outros. Na Austrália, Japão, etc., as liturgias da sorte iniciam-se antes das nossas.

Esse fato retira um pouco aquela ideia de que na hora da virada, a bola será colocada no centro do gramada e é zero a zero para todos. No caso o jogo da esperança começa antes para uma parcela do mundo.

Assim, além do pé direito, das uvas, da lentilha, da roupa-de-baixo amarela, da camisa ou vestido de uma determinada cor, deveria me resignar com o fato de alguns no mundo lançavam as suas estratégias supersticiosas em busca da sorte antes, vinte e horas antes.

E se tiver uma fila para ganhar na loteria, para escapar de um acidente?

Foi assim que me tornei um pragmático em termos de Ano Novo, reduzindo as minhas expectativas à comida e bebida que são servidas na ocasião.

Mas finalmente começou o ano!

Ele havia terminado um pouco antes do Natal, quando tudo para, na sua espera. Depois terminou porque seria Ano Novo, depois veio o recesso, depois o fato de que às quintas (antes eram às sextas), já não se encontra alguém disposto ao trabalho. Depois, era necessário aguardar o Carnaval.

Enfim, tudo passou e agora, apenas para os que não desejam começar o ano jamais, será apontada a Páscoa como obstáculo para que ele efetivamente tenha início.

Bem, mas retornado às esperanças, todavia com um calendário diferido, ao final dos campeonatos elas também ressurgem. Geralmente vêm acompanhadas da afirmação de que neste ano nada será igual ao que passou ou, em outras situações, que repetiremos o ano passado.

A questão toda é a que se as expectativas não forem correspondidas pelo futebol praticado, serão elas tão artificiais como são aquelas outras, almejadas por ocasião do estourar das rolhas das espumantes e dos fogos de artifício.

A realidade mostrada em campo, já quando se aproxima o mês de março, não é boa. Eu não adotaria uma pré-temporada nos moldes do que foi praticado pela atual direção do Internacional. Como já escrevi nesse espaço, prefiro aquela realizada fora de Porto Alegre, em um ambiente mais propício à convivência entre atletas e comissão técnica. Desconheço a razão e por qual conveniência, ela foi em realizada em Porto Alegre, junto ao estádio.

Mas, deixando de lado a discussão acerca da orientação administrativa empregada no planejamento da pré-temporada, o que interessa é que em nenhum momento, até agora e respeitando opiniões contrárias, a nossa equipe apresentou um futebol convincente. Ele foi, como foi no ano passado, ou melhor, na competição passada, aos trancos e barrancos.

Há uma pequena luz, à medida que alguns atletas efetivamente apresentam um melhor desempenho. Todavia, não há nada de extraordinário no gráfico dos altos e baixos ao qual já estamos acostumados. Algo, paralelamente, é inquestionável: as competições que vêm pela frente oferecerão maiores dificuldades. Falamos agora da elite do futebol brasileiro.

Chamo a atenção para o fato de que muito embora me posicione entre aqueles que valorizam o Campeonato Gaúcho - pois ele não pode ser perdido pelos grandes clubes, sem qualquer paradoxo lógico - ele não pode ser adotado como termômetro, mas apenas como referência preliminar.

Com isso, quero dizer que é preciso acelerar os passos para efetivar as soluções, engrossar a voz no comando do futebol e ter maior presença na imprensa e, assim, perante o associado e o torcedor.

Vamos torcer com esperança, com a camisa vermelha, não por superstição, mas por coração.

Feliz 2018, que começou apenas agora.

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- Roberto Siegmann escreve Jus Vermelha às sextas-feiras. Contato: roberto@SiegmannAdvogados.com.br

- Lênio Streck escreve Jus Azul às terças-feiras. Contato: lenios@globomail.com


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