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Edição de sexta-feira , 21 de setembro de 2018.
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Saibam o que é a ERI – ´Escala Richter do Ivismo´



Google Imagens / Grêmio Avalanche

Imagem da Matéria

Terremotos são medidos pela Escala Richter, que vai de 1 a 10. Esse padrão de medida pode ser adaptado ao comportamento da IVI, cujo índice sobe em dias de Gre-Nal e em dias em que o Grêmio disputa títulos. Claro que a ERI (Escala Richter do Ivismo) tem peculiaridades, chegando a altos índices até mesmo quando o Inter joga com o Remo do Pará.

Tal foi visto recentemente, quando a Zero Hora dedicou uma página toda ao jogo em que o Inter virou o jogo lá em Belém.

Interessante é que era o mesmo dia em que o Grêmio jogava – para a IVI, “apenas” – uma final de torneio internacional. Por exemplo, quando a IVI trocou o nome da segundona, o índice medido foi de 9,8 da ERI.

O índice ERI esteve perto de 9 quando o juiz e o promotor deram o drible da vaca na lei e condenaram a Torcida Geral do Grêmio, e a IVI conseguiu surfar nessa onda. Com efeito, além de fazer ouvidos moucos à ilegalidade praticada pelos agentes públicos, a IVI conseguiu comparar o comportamento da Geral aos hooligans ingleses. A Rádio Gaúcha até entrevistou um repórter – especialista - falando de Londres.

Quem ouviu, pensou que as torcidas organizadas – em especial a Geral – deveria ser banida para sempre, como os hoolligans. Talvez por isso a Brigada Militar tenha levado um tanque para frente da Arena. Quando lá cheguei no domingo, pensei: fizeram intervenção federal em Porto Alegre.

Durante a semana, o Correio do Povo conseguiu chegar ao índice 9 da ERI, ao dar uma página inteira à falta de dinheiro (sic) do Grêmio. Em vez de ironizar o dirigente do Sport Recife, levou-o a sério, quando este disse que “O Grêmio não tem dinheiro” – essa foi a manchete. A sub manchete dava conta de que o Grêmio não dera garantias bancárias. Uau. Pois é. A matéria da IVI do Centro é autoexplicativa. Fácil, fácil, índice 9.

A propósito: Grêmio comprou André. E como fica a manchete?

O índice 9,5 foi alcançado por um episódio que “desapareceu”. Ao menos não vi nada na mídia escrita, já que não tenho rádio escuta para acompanhar o que se fala. Falo da entrevista do técnico pirotécnico e performático Odair José Helmanns ao programa Troca de Passes.

Perguntaram ao Odair José ´como parar Luan?´. Ele respondeu que só poderia responder fora do ar. Terminada a entrevista, ele desceu e pediu que desligassem os microfones e câmeras. E, então, respondeu ´como parar´ Luan, fazendo aquele gesto que os leitores do Espaço Vital podem ver no vídeo.

Qual é o busílis? Simples. Uma entrevista destas deveria repercutir, mormente antes de um Gre-Nal. Mas, ao que consta, fez-se um silencio eloquente. Na verdade, o “escondimento” dessa matéria do Troca de Passes constitui um escândalo. A IVI fez ouvidos moucos. Só as redes sociais repercutiram.

Depois a IVI se queixa, dizendo: “Vocês são paranoicos”; “IVI? Isso não existe” - e assim por diante. A propósito: o que Martha Gleich (ombudsman de ZH) dirá sobre essa não notícia? Sim, porque aqui nos pampas sob domínio da IVI, por vezes a não notícia é mais grave que a notícia.

Fosse Renato quem dissesse que, para parar D´Allessandro, teria que bater, o escândalo estaria armado. Seria assunto pautado para muitos programas de rádio e tevê, matéria de página inteira dos jornais, inclusive com o requentamento das notícias do tempo em que o Grêmio ganhou fama de “time violento”. Prato cheio.

Manchetes seriam mais ou menos assim: “Renato diz que só chegando junto pararemos D´Alessandro”. “Gesto de Renato causa revolta”. Ou “Renato manda bater em jogadores do Inter”.

De novo: lá vêm eles de novo. “Isso de IVI não existe”. Pois é. É o Fator Padre Quevedo: isso não existe.

Bom, e o que dizer dos não ivistas, mas azuis com fascinação pelo vermelho? Basta ver o que disse David Coimbra na semana passada (“Na derrota Inter mostrou que pode vencer”) e o que disse depois dos 3x0. Sua manchete na ZH de segunda-feira (19) : “O Grêmio acertou até no erro”.

Se o Grêmio meter 6x0 no Inter, David escreverá: “Inter resistiu bravamente para não levar 7”. Que persistência, não?

Nem vou falar da falta de gana de certos locutores na hora de ter que narrar os gols... Ah: esperava manchetes como “Goleada com direito a olé”. Mas a palavra OLÉ apareceu só uma vez: na matéria de Silvio Benfica. Ao demais, também sumiu. Mas eu vi. Mais de quarenta mil viram. E os que viram pela TV também. Quem paga o vale é quem faz escondimentos. E obnubilamentos.

E vou, agora, ao mercado comprar pilhas para colocar no aparelho que mede a ERI. O aparelho está em uso constante. A agulha não desce do índice 8.

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• Lênio Streck escreve Jus Azul às terças-feiras. Contato: lenios@globomail.com

• Roberto Siegmann escreve Jus Vermelha às sextas-feiras. Contato: roberto@SiegmannAdvogados.com.br


Comentários

Daniel Silveira - Advogado 20.03.18 | 13:52:15

Muito bom "desabafo", Dr. Lênio. Mas eu não me preocupo mais com isso.  Enquanto eles insistem em tentar esconder a grandeza e a superioridade atual do nosso Grêmio (além, é claro, dos fracassos do co-irmão), nós vamos empilhando taças.

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