Feliz 2017


· Machado de Assis escreveu, não lembro se um conto ou uma peça, sobre as aventuras e desventuras de um quase ministro. Temos agora, aparentemente (amém, que assim seja) uma ex-quase-ministra. Que até nem seria a bolacha mais podre do pacote, considerando a qualidade da concorrência: os rolos dela, diga-se a bem da justiça (que não seja a do Trabalho) pelo menos não são da órbita criminal, onde tantos dos seus possíveis futuros colegas estão enredados.

 Essa senhora tem um problema, para os padrões vigentes, mais grave que os óbvios: é burra. Não se explica de outro modo aquele vídeo. É isso aí, ministra!

· Não tenho especial apreço pela arte da cantora Anitta, nem pela figura escrachada que ela faz questão de projetar. Mas acho que o Brasil (e em especial sua ala feminina) lhe deve ser grato por um particular motivo: ela nos livrou, por pouco, do vexame de ter um homem como a Mulher do Ano.

· Por falar nisso, quem seria o Homem do Ano?

 De minha parte voto em Teori Albino Zavascki, não só porque foi assassinado, mas pelo juiz que foi, pelos motivos do crime e pela ideia que ele encarnou. E porque não teve sucessor.

· Para muitas coisas estamos nas mãos do Judiciário, em especial do chamado Pretório Excelso. A amostra do pano, em tempos recentes, não é animadora. As excelências têm-se empenhado mais em brilhaturas pessoais, disputas de beleza e quizilas internas do que em desbastar as pilhas gigantescas de processos bolorentos. Oremos.

· Por força de posição que eu então ocupava na estrutura judicial, tive ocasião de receber pilhas enormes de processos devolvidos pelo STF em razão das alterações de competência e de admissibilidade recursal introduzidas pela atual Constituição Federal.

Agravos (sim, agravos, recursos visando a admissão de outros recursos) com cinco, seis, sete anos de idade. Alguns já no terceiro ou quarto relator. Se acontecesse hoje algum terremoto normativo similar, voltaria a ocorrer o mesmo, talvez, em escala ainda maior.

· Coisas boas também acontecem. Semanas atrás, recebi mensagem de um menino, filho de um queridíssimo e ilustre amigo já falecido, que conheci em uma de minhas vidas antigas, hoje destacado professor universitário. O que ele me disse, sem ser provocado de modo algum, foi talvez a história mais desvanecedora que já ouvi. Na adolescência ele disse ao pai que o tomava como modelo de vida. Meu amigo lhe disse então que não o fizesse, que haveria modelo melhor. “Quem?” “O Fabrício”.

Desculpa, leitor, o lance de marketing pessoal: eu não podia deixar de exibir um galardão desses, que me chega mais de 20 anos depois.