O Advogado Fura-Colchão


Por Carlos Alberto Bencke, advogado (OAB-RS nº 7.968)

Doutor Arencéfalo é o apelido de um advogado muito conceituado numa cidade de grande porte do Estado Sepétino, fronteira com a Argentina e o Uruguai.

Segundo a rádio-corredor-forense, “o cognome do profissional da advocacia é uma conjunção de ´Arbelino´, nome do pai dele e ´Encéfalo´, parte do cérebro que controla o organismo”. Assim se justifica que o Doutor Arencéfalo possua total domínio dos órgãos, digamos, sensíveis do seu corpo.

Até que a idade vai chegando, a gravidade atuando sobre o esqueleto. Culmina por resultar no descontrole teimoso e indisciplinado dos órgãos até então controlados...

O médico recomenda: “Tome Silaic 5mg., diariamente”.

Um tempo depois, a surpresa. A elegante esposa, discreta - ainda muito bonita, apesar da idade – pede o divórcio.

Diante do juiz que tenta reconciliar o casal, ela informa os motivos do pedido: “Doutor, não quero me reconciliar com este devasso. Acordei várias noites com ele fazendo movimentos pélvicos sobre a cama, no seco”.

O juiz pergunta ao Doutor Arencéfalo se ele quer “dizer algo acerca do desabafo conjugal”.

A resposta é imediata: “Excelência, eu próprio já me acordei várias vezes nesta situação. Só pode ser reação ao remédio que o médico me receitou para o controle dos meus órgãos atingidos pela lei da gravidade.”

A esposa entende. Há a reconciliação, com a desistência do divórcio litigioso. Mas as rádios-corredores da subseção da OAB e do fórum coincidem na informação logo difundida: “O Doutor Arencéfalo acaba de ganhar o codinome de ´Fura-Colchão´”.

No dia seguinte, as “rádios-corredores” da Ajuris e do tribunal também repercutem. Face ao sigilo judicial, não se fala mais nisso.