Roberto Jefferson, o condenado, está de volta


No domingo (10), à noite, a CNN Brasil reproduziu três entrevistas que levou ao ar ao longo da semana.

 A primeira delas com o ex-ministro Mandetta. Ele revelou o que todos já sabemos, uma habilidade ímpar para a comunicação. Foi claro, ponderado e adequado. Demonstrou um grande conhecimento sobre o SUS e os contornos da pandemia da Covid -19.

Defendeu o seu ponto de vista respaldado na ciência em escala mundial, de que a melhor forma de evitar a contaminação é o isolamento social. Condenou, com razão, o pouco caso das autoridades brasileiras para com as possibilidades emergentes do carnaval frente à doença.

Não revelou rancor com a sua exoneração, foi inteligente, ressaltando a competência (responsabilidade), plena para fazê-la do presidente.

 Uma outra entrevista, sobre a qual havia lido muito em razão da repercussão, foi a da secretária da Cultura, Regina Duarte - “a namoradinha do Brasil”. Triste, muito triste. Há muito não testemunhava alguém tão alienado(a) frente às responsabilidades do cargo. Qualquer um dos seus personagens, a partir do pior, é melhor do que ela.

Riu quando não devia, desdenhou quando o assunto era sério, leu um roteiro previamente elaborado e abandonou a entrevista quando contrariada em um ponto.

Não imagino quem Regina pensa que é, bem como com que direito fala da morte com desprezo ao drama dos que são assolados pela dor da perda. Terminada a entrevista que, além do banho de realidade para quem conhecia apenas o seu desempenho artístico, ficou a pergunta: EM QUE MUNDO VIVE ESSE ESTRANHO SER?

• Mas o melhor (?) estava por vir. Ressurge dos porões do esquecimento, o condenado ex-deputado Roberto Jefferson. Sim, aquele que protagonizou as maiores lambanças na política.

Hoje está magro, mas é a única diferença com aquele agitado gordinho que comandava a tropa de choque de Fernando Color de Mello. Sim, foi ele também que, após o flagra em um cupincha que metia a mão no dinheiro desviado pela corrupção, denunciou o mensalão petista, atribuindo a criação do mecanismo a José Dirceu.

Roberto Jefferson foi condenado, assim como as práticas que quase destruíram o país.

De dedo em riste, com postura teatral, passou a desfiar um rosário de conselhos para que a política do país melhore. Atacou Moro, Maia, o Supremo, em especial quatro ministros: Alexandre Moraes, Celso de Mello, Luiz Fux e Marco Aurélio.

Com todas as letras apontou os quatro como articuladores de uma crise institucional no país. Como se vê, a pandemia não se instala nos esgotos da República.

Muito triste verificar que em nosso país a dissimulação é um traço relevante. Jefferson postou-se como um mestre da ética, oferecendo - não apenas a si, mas também o seu partido - ao presidente.

O condenado está de volta, foi resgatado como conselheiro. Em breve um novo escândalo surgirá. Tentou com o Temer, indicando a sua filha para o cargo de Ministra do Trabalho. Lembram o que ocorreu?