Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira, 19 de fevereiro de 2019.

Predileção por lâmpadas vermelhas



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

No século passado, as casas de prostituição situavam-se fora das cidades, geralmente em beiras de estradas. Para diferenciá-las das residências, os proxenetas e/ou as cafetinas mandavam instalar luzes vermelhas, para que todos soubessem que ali era uma casa onde se encontrava sexo mediante dinheiro.

Um pouco estagnado no tempo e sem ter reformulado os seus conceitos, determinado magistrado solteiro – nos anos 90 – após ter passado o fim-de-semana em Porto Alegre, subia a serra gaúcha, dirigindo seu incrementado Opala pela BR-116. Era uma noite cálida de meados de dezembro.

Solitário, cansado e sonolento, o juiz seguia rumo a um hotel serrano, onde pernoitaria para, às 10 da manhã seguinte, tomar posse como titular de uma vara trabalhista da região.

Trinta quilômetros antes do destino, o magistrado vislumbrou, à direita, uma casa, estilo italiano, de onde pendiam displicentes lâmpadas vermelhas – daquelas antigas de 30 anos atrás.

Como houvesse aparentemente estacionamento disponível, o cidadão-juiz foi chegando com seu carro. Deu duas buzinadas, desembarcou e logo galgou a escadaria da casa, adentrando à sala – de porta aberta - que estava às escuras.

- Meninas, cheguei! – bradou fagueiro e oferecido.

Antes que pudesse ambientar-se, o visitante foi alcançado por vigorosas vassouradas de uma provecta senhora cinquentona, que detonava palavrões contra o indesejado intruso:

- Aqui é casa de família, seu f-d-p!

Forçado a retirar-se, o doutor juiz não teve tempo, sequer, de explicar seu equívoco. Pensara que a residência familiar - modestamente adornada por lâmpadas vermelhas que convidavam a uma digressão natalina – fosse uma “casa de tolerância”.

Já aposentado, o magistrado ainda é (dezembro de 2017) “chegado numa luz vermelha”.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Gerson Kauer

Mulher em caução!

 

Mulher em caução!

Astucioso, o homem sai do motel sem pagar a conta. Surge depois a inusitada ação contra uma mulher, 30 de idade, tentando “receber o valor de uma diária, jantar e bebidas e, cumulativamente, uma reparação financeira, mesmo que pequena, para punir a ré pela trapaça civil cometida”

Gerson Kauer

De grosso calibre

 

De grosso calibre

No prédio com vista para o Guaíba, em que atuam lidadores do direito, chega uma caixa com “uma coisa estranha” endereçada a uma das doutoras da casa. Seria um “bilau” de brinquedo? O decano deu a solução na reunião em que participaram as cabeças mais lúcidas da Casa: “Temos que rever nossos conceitos”.

Charge de Gerson Kauer

O namorado do juiz

 

O namorado do juiz

Na comarca de entrância intermediária, um dos juízes é gay. Seu então parceiro é um técnico em informática de uma grande empresa agro comercial. Afinados, os dois homossexuais têm apenas uma única grande diferença: a questão salarial. De repente, há um tombo financeiro.

Chargista Kauer

A “Menina Veneno”

 

A “Menina Veneno”

Bem vivido, bom de bolso graças à consistente aposentadoria recheada de interessantes penduricalhos, o destacado ex-operador jurídico, viúvo, boa pinta -  se é que isso é possível para um cidadão com 70 de idade -  afinal sai com uma moça escultural, bem malhada, 24 anos.  De comum, entre eles, só o Direito.

Charge de Gerson Kauer

  O enterro da sogra que não morreu

 

O enterro da sogra que não morreu

A inusitada abordagem no plantão judicial forense. Como autorizar o funeral de uma provecta idosa, de aparência taciturna, que – como manifestação de última vontade - deseja ser sepultada no sítio em que reside? O texto é de Dirnei Bock Hendler, servidor judicial estadual (RS)

Charge de Gerson Kauer

A fama do João Grande

 

A fama do João Grande

Era uma ação penal contra um homem que estaria ofendendo e ameaçando a ex-esposa. As desavenças ocorriam porque ela postava, nas redes sociais, que o ex-marido vivia sempre na casa do João Grande, famoso na cidade gaúcha por ser bem-dotado.