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Edição de sexta-feira, 22 de março de 2019.

Os vinhos da Lava-Jato



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

O destacado advogado gaúcho, cinquentão, recém divorciado, atuante na defesa de gente alcançada por decisões de Sérgio Moro, entra com a jovem namorada num notório restaurante em Porto Alegre, olha a carta de vinhos e pede uma garrafa do mais caro dos itens disponíveis.

O sommelier, estranhamente, já traz o decanter de cristal cheio de vinho e, depois de uma mesura, serve uma pequena porção para ser provada. O advogado leva o cálice ao nariz para sentir o aroma, fecha os olhos e sorve uma pequena prova.

Mas inesperadamente, franze a testa, pousa suavemente o copo na mesa e verbalmente fuzila o sommelier: “A preciosidade que, nomeadamente, pedi é uma combinação de uvas cabernet sauvignon, merlot, petit verdot, tannat e tempranillo, sendo um rótulo especial para os amantes de vinho como eu e minha namorada. Mas estamos, aqui, sendo vítimas de uma fraude enóloga, digna de ser punida nas frias celas de Curitiba”.

Estabelece-se uma discussão, o sommelier explica ter colocado no decantador um vinho “completamente semelhante”. E tenta justificar: “Tínhamos vendido ontem a nossa última garrafa desse santo vinho, safra 2011, que o senhor pediu. Rogo-lhe, porém, avaliar que, de qualquer forma, a diferença entre ambos é irrelevante, porque o vinho que lhe foi servido é produzido pelo mesmo grupo empresarial”.

O sommelier ainda desfia supostas justificativas: “O solo é idêntico, a vindima é da mesma época, o esmagamento das uvas é feito na mesma ocasião e o mosto vai para barris absolutamente iguais. Assim, os dois vinhos se equivalem no sabor, com diversidade mínima no preço. E desculpando-me reconheço uma pequeníssima diferença geográfica no local de coleta”.

O advogado, discretamente – para que a já constrangida namorada nada mais escute – puxa o sommelier para o lado e murmulha-se ao ouvido: “Pequenas diferenças físicas e de anatomia geral também proporcionam essa tal de pequeníssima diferença geográfica. Hoje à noite faça um teste de olfato e paladar com sua mulher e perceberá a sutil diferença que pode haver”.

O casal, então, retira-se. Ele, irônico; ela, contrariada. Três dias depois o novel casal viaja à França. Conta-se que lá, numa imprevista lua-de-mel de uma semana, consomem algumas garrafas do tinto Château Mouton Rotschild, safra 2005, um dos vinhos mais caros do mundo.

Um arremate: cada garrafa custa 1.000 euros. E viva a Lava-Jato!


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