Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira , 14 de junho de 2019.

Relações sexuais proibidas por determinação do MP



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

(*) Resumido a partir de conto escrito pelo juiz Antônio da Rocha Lourenço Neto (TJ-RJ).Publicado originalmente em “A Justiça Além dos Autos”, editado pelo CNJ (2016).

Na audiência de uma ação de interdição de cunho parcial, estão presentes a interditanda (esposa), o autor (marido), o advogado deste, o perito médico e a promotora de justiça. A pauta é ouvir aquela senhora cinquentona que sofreria de um problema psiquiátrico moderado.

Tudo transcorre normalmente até o momento em que a interditanda, encabulada, dirige-se ao juiz:

- Posso falar direto com a promotora?

- Sim, pode – concorda o magistrado.

Há um hiato e, então, diz a interditanda:

- Doutora, eu sei que a senhora proibiu o meu marido de ter relações sexuais comigo, ele me falou. Mas agora eu estou melhor. Gostaria que então ele fosse autorizado a fazer amor comigo, estou necessitada, quase subindo pelas paredes.

Há um silêncio sepulcral. A promotora denota uma expressão desconcertada e apressa-se em esclarecer:

- A senhora está enganada. Eu nunca falei que o seu marido deixasse de fazer amor com a senhora. É invenção dele! Talvez seja até mera desculpa...

O autor/marido, desorientado e sem jeito balbucia para a esposa:

- Depois eu explico, ?ca quieta...

Com feições de contrariedade, a promotora atalha:

- Se eu fosse a senhora exigiria do seu marido que faça amor, o dia todo. Eu nunca conversei com ele, e não existe isso de proibir marido e mulher de terem relações íntimas.

A interditanda conclui com delicadeza:

- Agradeço à senhora pelo esclarecimento. O meu marido deve ter entendido mal.

O juiz rende-se à espontaneidade da situação e pergunta à representante do Ministério Público se quer que se consigne a recomendação na ata de audiência, o que dá azo a que sorrisos verdadeiros pipoquem. Mas, a?nal, nada daquilo é digitado no termo.

No fórum, sabe-se que o marido vem prestando contas dos valores que recebe em nome de sua esposa. E que, sobre os valores, a promotora segue exercendo vigilância constante e implacável.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Neusa Saatkamp - Advogada 12.09.18 | 18:31:10

Diante de tal fato, seria razoável cancelar a interdição, visto que o interditado é que deveria ser o marido.

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

“Senhores e senhoras, levantem-se!”

 

“Senhores e senhoras, levantem-se!”

Era o primeiro dia de audiências do novel juiz na comarca. Os advogados e as partes foram entrando na sala, sendo surpreendidos por chamativo aviso: “Em estrito respeito ao Juízo, todos deverão levantar-se no momento que o MM. Juiz adentrar a sala de audiências”. A severa escrivã também fazia a sua parte. Os advogados locais reagiram.

Charge de Gerson Kauer

Aparências enganam!

 

Aparências enganam!

Porta da frente, ou porta dos fundos? Dois dias depois das bodas, a surpresa: na comarca de entrância intermediária, Carlyson ajuizou ação de anulação do casamento contra a jovem esposa Jenifer. Ninguém imaginava o motivo. O experiente juiz logo entendeu tratar-se de “erro essencial quanto à pessoa”. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Gerson Kauer - Divulgação

A loteria da cantada

 

A loteria da cantada

Na casa lotérica, a novel operadora de caixa, percebeu já nos primeiros dias de trabalho, que um dos donos do estabelecimento, insinuava-se com furtivos olhares. Sem demora, vieram furtivos toques de mão. E tudo desbordou em uma ação por dano moral decorrente de “intolerável assédio sexual com requintes de tentativa de indução à prostituição”.  

Charge de Gerson Kauer

A jurisdição terceirizada

 

A jurisdição terceirizada

A proposta instigante de um conselheiro de uma das seccionais estaduais da OAB: comprovar, judicialmente, que a jurisdição é prestada basicamente por assessores e estagiários. É hora de fazer de conta que tudo é ficção.

Charge de Gerson Kauer

O Advogado Fura-Colchão

 

O Advogado Fura-Colchão

Doutor Arencéfalo é o apelido de um advogado muito conceituado. O cognome é uma conjunção de ´Arbelino´, nome do pai dele e ´Encéfalo´, parte do corpo humano que controla o organismo. De repente, a surpresa na comarca: a elegante esposa pede o divórcio. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

As duas Têmis

 

As duas Têmis

No curso preparatório a concursos para ingresso na magistratura, um dos professores resolve aferir os conhecimentos gerais e a capacidade redacional dos alunos. Então entrega a cada um uma folha de papel A-4. Pede-lhes que ”escrevam de 20 a 30 linhas sobre Têmis”. Um dos discípulos sustenta e comprova a existência de uma divindade grega e de uma personagem terrena que não gostava de processos.