Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira, 22 de março de 2019.

A sogra, ou a soga?



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Por Carlos Alberto Bencke, advogado.

A ação de usucapião ajuizada no foro de cidade próxima ao litoral norte gaúcho se referia a uma pequena de terra, que passou a ser valiosa porque a cidade cresceu para aqueles lados. Casas enormes foram construídas e ficou aquele terreno vago. Alguém se interessou, cresceu o olho e o advogado relatou, na petição inicial, que o autor ocupava a área há tantos anos e que “lá colocava sempre, todos os dias, um animal para pastar”.

Contestada a ação, foi marcada a audiência de instrução, sob a presidência de juíza bem jovem, tipicamente urbana, criada na cidade grande, formada em universidade particular e recém aprovada no concurso.

Começaram a desfilar as testemunhas do autor da ação que tinha de comprovar o uso da área, até que chegou a vez de um índio acostumado às lides campeiras, que também se expressava à moda lá de fora.

Na época usava-se ainda a forma de audiência em que a pergunta era feita ao(à) juiz(a), depois transmitida à testemunha, que respondia e o(a) magistrado(a) reduzia a termo. Em síntese: o juiz ditava para a secretária da audiência com suas palavras o que entendera que dissera a testemunha.

Houve então a inevitável pergunta para o guasca: “O seu fulano usava a área?”.

A resposta positiva do índio veio acompanhada de uma frase que surpreendeu a jovem magistrada: “Ele amarrava o animal pela soga e deixava lá pastando”.

A novel magistrada não conteve o riso, mas rapidamente recompôs-se e perguntou: “Pela sogra?”

Foi preciso a intervenção dos experientes advogados que participavam da audiência para explicar que soga era uma espécie de corda para amarrar animais, termo muito usado no interior gaúcho.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

   O Doutor Rei da Sinuca

 

O Doutor Rei da Sinuca

A surpresa, em cidade da fronteira gaúcha, quando o advogado - que tinha 99% de sucesso nos encaçapamentos das sete bolas coloridas – rompeu o namoro com a mulher mais ´in-te-res-san-te´ da comarca.

Gerson Kauer

Os dois exagerados

 

Os dois exagerados

Ao realizar a penhora sobre um cavalo (“o mais famoso reprodutor da fazenda”), o oficial de justiça espanta-se com a virilidade do equino, fotografa o animal excitado, e faz uma certidão exageradamente minuciosa. O juiz manda desentranhar a foto e que se risquem 17 palavras do relato oficial feito pelo servidor minucioso.

Gerson Kauer

Nádegas generosas

 

Nádegas generosas

A condenação da editora de uma revista erótica, por causa da legenda ao lado da foto mostrando quadris e rosto de veranista praiana: “Meus olhos são pra ver/ Meu nariz é pra cheirar/ Minha boca é pra comer/ Meu ouvido é pra escutar / Mas também tenho algo pra dar”.

Gerson Kauer

Mulher em caução!

 

Mulher em caução!

Astucioso, o homem sai do motel sem pagar a conta. Surge depois a inusitada ação contra uma mulher, 30 de idade, tentando “receber o valor de uma diária, jantar e bebidas e, cumulativamente, uma reparação financeira, mesmo que pequena, para punir a ré pela trapaça civil cometida”

Gerson Kauer

De grosso calibre

 

De grosso calibre

No prédio com vista para o Guaíba, em que atuam lidadores do direito, chega uma caixa com “uma coisa estranha” endereçada a uma das doutoras da casa. Seria um “bilau” de brinquedo? O decano deu a solução na reunião em que participaram as cabeças mais lúcidas da Casa: “Temos que rever nossos conceitos”.

Charge de Gerson Kauer

O namorado do juiz

 

O namorado do juiz

Na comarca de entrância intermediária, um dos juízes é gay. Seu então parceiro é um técnico em informática de uma grande empresa agro comercial. Afinados, os dois homossexuais têm apenas uma única grande diferença: a questão salarial. De repente, há um tombo financeiro.