Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira , 14 de junho de 2019.

A “Menina Veneno”



Chargista Kauer

Imagem da Matéria

É dezembro de 2016. Bem vivido, bom de bolso graças à consistente aposentadoria recheada de interessantes penduricalhos, o destacado ex-operador jurídico, viúvo, boa pinta – se é que isso é possível para um cidadão com 70 de idade -  afinal sai com uma moça escultural, bem malhada, 24 anos.

De comum entre eles, só o Direito.

Ele segredara, aos amigos, sua imaginação: “Seria uma ´Menina Veneno´ - com letras maiúsculas - amadora nos embates de Eros, e honrada iniciante das lides do Direito”.

Os dois vão a um restaurante cinco estrelas.

Depois de um opíparo jantar com o melhor vinho da carta, eles acabam no mais envolvente motel da cidade, um duplex com piscina, hidro e solarium (como se o último item fosse necessário para as delícias da madrugada).

Ele já tinha dado a ela antes, claro, uma joia e um vestido de grife.

Descansando após mais ´umazinha´ (viva a pílula azul!), os dois se aconchegam e – meio que preparando novo bote – ela pergunta:

- Benzinho, eu estou saindo muito cara pra você?

O jurista responde na hora:

- Meu amor, na minha idade não tem jeito. Ou a mulher é cara ou é coroa!

No dia seguinte, via motoboy, o douto cidadão despacha para ela – em envelope fechado – um cheque de valor desconhecido, acompanhado de um cartão:

“Menina veneno,

O mundo é pequeno

Demais pra nós dois.

Em toda cama que eu durmo

Só dá você,

Só dá você!”

Fevereiro de 2017, por uma dessas irreversíveis páginas da vida – talvez consequência da pílula azul - o jurista parte da vida terrena para os eflúvios celestiais.

Dezembro de 2018, um dia desses, a “Menina Veneno” é vista depositando flores de saudade no túmulo de um dos cemitérios da Azenha.

Se vivo estivesse, seria a data natalícia do provecto e saudoso homem.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

“Senhores e senhoras, levantem-se!”

 

“Senhores e senhoras, levantem-se!”

Era o primeiro dia de audiências do novel juiz na comarca. Os advogados e as partes foram entrando na sala, sendo surpreendidos por chamativo aviso: “Em estrito respeito ao Juízo, todos deverão levantar-se no momento que o MM. Juiz adentrar a sala de audiências”. A severa escrivã também fazia a sua parte. Os advogados locais reagiram.

Charge de Gerson Kauer

Aparências enganam!

 

Aparências enganam!

Porta da frente, ou porta dos fundos? Dois dias depois das bodas, a surpresa: na comarca de entrância intermediária, Carlyson ajuizou ação de anulação do casamento contra a jovem esposa Jenifer. Ninguém imaginava o motivo. O experiente juiz logo entendeu tratar-se de “erro essencial quanto à pessoa”. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Gerson Kauer - Divulgação

A loteria da cantada

 

A loteria da cantada

Na casa lotérica, a novel operadora de caixa, percebeu já nos primeiros dias de trabalho, que um dos donos do estabelecimento, insinuava-se com furtivos olhares. Sem demora, vieram furtivos toques de mão. E tudo desbordou em uma ação por dano moral decorrente de “intolerável assédio sexual com requintes de tentativa de indução à prostituição”.  

Charge de Gerson Kauer

A jurisdição terceirizada

 

A jurisdição terceirizada

A proposta instigante de um conselheiro de uma das seccionais estaduais da OAB: comprovar, judicialmente, que a jurisdição é prestada basicamente por assessores e estagiários. É hora de fazer de conta que tudo é ficção.

Charge de Gerson Kauer

O Advogado Fura-Colchão

 

O Advogado Fura-Colchão

Doutor Arencéfalo é o apelido de um advogado muito conceituado. O cognome é uma conjunção de ´Arbelino´, nome do pai dele e ´Encéfalo´, parte do corpo humano que controla o organismo. De repente, a surpresa na comarca: a elegante esposa pede o divórcio. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

As duas Têmis

 

As duas Têmis

No curso preparatório a concursos para ingresso na magistratura, um dos professores resolve aferir os conhecimentos gerais e a capacidade redacional dos alunos. Então entrega a cada um uma folha de papel A-4. Pede-lhes que ”escrevam de 20 a 30 linhas sobre Têmis”. Um dos discípulos sustenta e comprova a existência de uma divindade grega e de uma personagem terrena que não gostava de processos.