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Edição de sexta-feira , 24 de maio de 2019.

Remediar para prevenir?



Arte de Camila Adamoli sobre fotos Ajuris (E) e Camera Press (D)

Imagem da Matéria

Por Plinio Carlos Baú, MD, PhD, professor titular de Cirurgia da Escola de Medicina da PUC-RS

Recentemente algumas sociedades médicas resolveram alertar seus membros sobre os riscos de algumas medicações muito consumidas, entre elas as estatinas utilizadas para “prevenir” o aumento dos níveis de colesterol. Alguns sintomas já conhecidos, e outros nem tanto, foram listados: efeito tóxico diretos nas fibras musculares traduzido por dor, câimbras e fraqueza, miosite autoimune que não melhora com a suspensão da estatina, rabdomiólise, que é a morte maciça de fibras musculares e neuropatia periférica manifestada por dormência e formigamento de extremidades.

“Agradaria a todos que o futuro fosse previsível, que o sofrimento fosse evitado e que fosse possível eliminar as doenças“ - escreveu o Dr. Marco Bobbio, cardiologista italiano no excelente ´O Doente Imaginado´ (traduzido para o português e editado pela Bamboo Editorial).

Valho-me da oportunidade disponibilizada pelo Espaço Vital para alertar seu público, que aqui aporta regularmente: advogados, magistrados, promotores, professores, estagiários e muitos outros.

É que o grande consumo de estatinas (e elas são só um exemplo) está levando a uma distorção no conceito de prevenção das dislipidemias que deve inicialmente ser feito, pelo menos por seis meses, com estilo de vida saudável e alimentação adequada. Não se faz prevenção de saúde com remédios, exceto vacinas.

Para cada um milhão de pessoas que hoje usam remédios para não ter colesterol alto, talvez mil ou duas mil iriam necessitar tomar a medicação para tratar no futuro.

Trata-se de uma constatação cruel que só beneficia a indústria farmacêutica, sem levar em conta os sintomas que os pacientes apresentam ao utilizar as estatinas como uma bandeira desfraldada para a eternidade.

“A prevenção - escreve o professor Bobbio - é uma ação que todos aprovam mas que corre o risco de protagonizar uma exigência para a qual convergem expectativas muito diferentes” (pág. 126).

Para um epidemiologista, prevenção é uma ação que reduz a incidência de doenças numa população. Para um clínico geral é uma ação que retarda o aparecimento de doença em determinado paciente.

Para o administrador público trata-se de uma ação que pode alavancar a sua imagem pessoal.

Para a maioria das pessoas é uma ação que promove aumento do bem-estar.

Para a indústria farmacêutica e alimentícia é uma ação que permite vender produtos e induzir novas necessidades de consumo”.

Repito: não se faz prevenção de doença consumindo remédios. Remédios devem ser usados para tratar doenças. Para o mais completo entendimento, sugiro a agradável leitura do livro do Dr. Bobbio.


A PALAVRA DO LEITOR

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Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

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