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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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Morreu pela boca



Isso se aplica às situações em que o sujeito fala além da conta, sem ter consciência do que diz, e acaba pagando o preço da irresponsabilidade.

Já afirmei que o eterno vice futebol do Inter, resistente a todos os insucessos, derrubou o Odair sem querer derrubá-lo. O interessante é que significativa parcela da imprensa esportiva não se deu conta disso.

Melo, como o plebeu do poema de Machado de Assis – ´Mosca Azul -, ao enxergar a mosca azul, com asas de ouro, deslumbrado passou a sonhar com o poder e as riquezas em uma interminável fantasia que comprometeu o seu senso de realidade.

Melo é a solução sucessória para a garantia da permanência do ´status quo´ reinante no Internacional há mais de duas décadas. Com ele há a garantia de que nada mudará. Aliás, perguntado acerca da causa da sua permanência no comando futebol, Medeiros não conseguiu esconder a verdade: “Ele é fiel”.

Conheço a fidelidade entre casais, a canina, mas nunca a fidelidade no comando do futebol. É de questionar: por que ela é apontada como uma virtude? No caso do futebol do Internacional ela se dá em favor de quem?

Na quarta-feira da semana passada (9), após perder para o CSA, o homem do futebol do Inter viu ameaçado o seu obstinado desejo. Deparou-se com a irresignação da torcida, especialmente depois de sermos eliminados da Libertadores e derrotados na final da Copa do Brasil. Ele sentiu-se no dever de aplacar com palavras a revolta do torcedor. Durante a entrevista ao final da partida à medida que falava, mais se afundava.

A repercussão foi tão expressiva que já no dia seguinte Odair não estava mais no comando do vestiário colorado. Essa situação de dispensa do técnico não seria incomum, não fosse obra da trapalhada. Tanto é assim que se admitindo que o futebol do Internacional tenha planejamento, ao ser abandonado o plano A, seria apresentado o plano B. Hoje, tenho a convicção de que a atual diretoria foi levada pelas circunstâncias. Jamais teve plano A e muito menos plano B.

Mudamos sem ter quem colocar no lugar do Odair, isso faltando poucas rodadas para o final da competição na qual pretendemos ao menos uma vaga na Libertadores.

Ora é Roger, ora é Tiago Nunes e agora surge Eduardo Coudet. Todos excelentes técnicos, mas com enormes dificuldades para assumirem imediatamente o comando técnico do futebol do Internacional. As possibilidades contratuais são para janeiro do ano seguinte.

Isso é planejar o futebol?

Merecemos mais do que isso, pois essa situação é muito semelhante a aquela de demitir o técnico na quinta-feira antes do Gre-Nal de domingo.


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