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Edição de sexta-feira ,13 de dezembro de 2019.
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O jeito de escrever nos meios eletrônicos



Arte EV

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Com o advento da Internet, surgiu o que se chama de internetês, que se pode definir como a escrita que imita a fala coloquial. Por ser uma tentativa de imitação da fala, essa forma de escrita assume algumas características muito próprias. Destacam-se apenas algumas:

- Rapidez. Não se consegue imprimir na escrita a mesma velocidade da fala, razão por que se eliminou tudo o que pode emperrar a produtividade da digitação: abrevia-se quase tudo (exemplos: Atenciosamente virou Att., você virou vc., que virou q., e assim por diante), acentos e diacríticos foram eliminados, assim como os elementos de ligação (preposições) e a questão das iniciais maiúsculas (ou se escreve tudo em minúsculas ou tudo em maiúsculas), entre outras medidas espontaneamente implementadas.

- Gíria. Assim como na linguagem oral coloquial, usa-se muita gíria (cada tribo tem a sua).

- Falta de precisão e clareza. Ao converter a fala para a escrita não se conta com as manifestações corporais (gestos, sorrisos, caretas e outros movimentos); isso, somado ao fator pressa, faz com que o internetês perca em precisão e clareza, suscitando muitos entraves na comunicação.

- Superficialidade. Deduz-se do exposto que essa forma de comunicação prima pela superficialidade.

É fácil concluir que o ambiente do fazer jurídico está em extremo oposto, de formalidade, de profundidade no pensamento, de argumentação, portanto muito distante do internetês, que é legítimo apenas nas comunicações em ambientes pessoais, familiares e sociais.

Mas, e os processos eletrônicos, o que têm de diferente em relação aos tradicionais processos em papel? Mudou apenas o suporte, que passou do papel para a tela do computador. A forma de escrever em nada se modificou; nada tem a ver com o internetês. Aliás, se este é uma tentativa de imitação da fala coloquial, a escrita jurídica seria a imitação da sustentação oral feita nos tribunais, que nada tem de semelhante com a fala coloquial.

Concluindo, mais uma vez é preciso discernimento.


A PALAVRA DO LEITOR

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