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Porto Alegre, sexta-feira, 16 de abril de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 20).

A gasolina zero & o esconderijo de 32 mil



Imagem: Freepik - Arte EV

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Outubro de 2000. Um senador - tratado pelo codinome de Vulcabrás - vai a São Paulo pegar propina de um empresário. Chega na empresa, conversa rapidamente, conta o dinheiro e, suado, levanta-se para sair. O empresário oferece um carro blindado para o percurso até o aeroporto. O visitante aceita.

No meio do caminho para Guarulhos, o veículo emperra por falta de gasolina. Em dois minutos uma viatura da PM, com três policiais a bordo, estaciona ao lado do carrão.

O senador - que imagina ter sido algo armado contra ele - se identifica e pede ajuda aos policiais.

- Pois não, excelência! - é a resposta solícita do sargento.

Os três PMs, então, empurram o carro - naturalmente pesado por causa da dupla blindagem - que carrega um senador de 80 quilos com uma mala preta cheia de dinheiro. Sorte de todos, há um posto de gasolina pouco mais de 100 metros à frente do local do imprevisto. Tanque reabastecido, o senador paga com duas cédulas de 50, segue o rumo do aeroporto, embarca na aeronave e pouco mais de uma hora e meia depois chega ao destino.

Funcionava assim no Senado. E já prescreveu.

Outubro de 2020.  O flagrante dado pela Polícia Federal no senador Chico Rodrigues (DEM-RR) portando na cueca amarela R$ 32.250 (na maioria, cédulas de R$ 200) revela outro grotesco assalto ao contribuinte no meio político. Na semana seguinte, o pedido de licença de 121 dias feito pelo congressista (!) é uma manobra de evasão, para dar tempo a articulações que adiem o recebimento da denúncia. E também, na prática, é o jeitinho para tentar safar o político magano e encaixar o filho suplente como sucessor na bocarra.

A investigação revela a conexão no Congresso com a onda de corrupção em torno do dinheiro liberado pela União para o enfrentar o vírus. Se os senadores não querem chancelar a safadeza, é a eles que cabe punir Rodrigues com a perda do mandato. À Justiça, cabe cuidar das demais punições.

Em tempo: até se borrar com a súbita visita da PF em seu apartamento, Rodrigues fazia parte da comissão encarregada de fiscalizar os gastos na pandemia.

Funciona assim em Brasília. E ainda não prescreveu.


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