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Edição Extra, interrompendo, em 11.1.2020, as férias da Equipe Espaço Vital
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A IVI, a vadiagem da bola e o campeonato vadio



Montagem EV sobre imagem Guia Infantil.com

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Mauricio Guiñazu Saraiva disse que o gol que o Inter sofreu do Coritiba foi decorrente de uma “bola vadia”. Pode ser. Gostei da figura de linguagem. Uma frase inteligente do Mauricio. Um pouco de Guimarães Rosa faz bem. Cumprimentos. Há, na frase, uma mistura de Manoel de Barros e Rosa. Como diz Manoel de Barros, meu poeta brasileiro preferido, uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar.

Bola vadia foi bem, não fosse a paixão pelo vermelho do Mauricio.

O campeonato brasileiro também está uma vadiagem. Arrasta-se. Os primeiros patinam. Amofinam-se.

E os que querem jogar apenas preguiçosamente – como o Grêmio - estão chegando perto das lebres, como que a firmar a lenda da tartaruga e da lebre.

O Grêmio é um ´case´ a ser estudado na disciplina “Epistemologia Ludopédica”... O treinador tem uma tese: jogar com cascudos e rejeitar os “não lapidados”. Os fatos a derrubam. Então, Renato é obrigado, dialeticamente, a colocar a antítese em campo.

Ontem foi assim: Jean Pierre, Darlan, Rodrigues...fora outros.  A síntese mostra, dialeticamente, que a tese está errada. Renato deve se deixar levar pela dialética.

Vejo que o Grêmio contratou três jogadores aqui da América do Sul. Porém, contratou-os para a base. Na Europa não tem disso. Eles buscam a nossa base para colocar em campo.

Aqui, tem de “lapidar”. Só depois se coloca a jogar.  A leveza dos jovens jogando domingo no Maracanã deveria ter a força de mudar a “tese” de Renato. Ele viu – e vê – a antítese do que pensa. E só na marra, forçado por contingências, entrega-se à evidência.

Renato é como certo juiz. Tem convicção demais. Deveria se deixar levar pelas evidências. Pela bola rolando de pé em pé.

Como diz meu filósofo preferido, Hans Georg Gadamer, toda interpretação correta deve guardar-se da arbitrariedade dos “chutões ‟.

O melhor poeta futebolístico foi Eduardo Galeano. Sobre a arte no futebol, dizia: “[D]Esses cara-sujas que cometem o disparate de driblar (...) pelo puro gozo do corpo que se lança à proibida aventura da liberdade”.

Quem é o craque? “Aquele a quem a bola procura, aquele a quem a bola necessita. Aquele a quem a bola reconhece”.

Renato deveria ler Galeano. Muita gente deveria ler Galeano, Manoel de Barros e quejandos.

Eis mais um passe meu, de letra, que recebi de Galeano, na entrada da área: “O gol é o orgasmo do futebol e, assim como o orgasmo, é cada vez menos frequente na vida moderna.”

Ludopedismo – eis o nome do futebol. Eis o nome da ciência do futebol. Ludo é jogo, arte, alegria. Ludo é toque de bola. E não chutões. Livremo-nos da arbitrariedade dos chutões, como dizia o filósofo alemão.


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