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Porto Alegre, sexta-feira, 07 de maio de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 11).
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A cola que reprovou o estudante



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

O estudante de Educação Física era destacado nas aulas práticas, mas sem brilho nas provas teóricas. Certo dia, foi pilhado “colando”: levara em minúsculas tirinhas, alguns resumos que sorrateiramente poderiam ajudá-lo a responder as questões sobre músculos esqueléticos, práticas corporais e prevenção de doenças.

O professor percebeu a tentativa de fraude, recolheu a prova e, na hora, cravou nota zero.

O estudante foi a Juízo sustentando ser vítima de perseguição pessoal, não havendo provas de burla, e deplorando a prevalência da palavra unilateral do professor.

Pediu a desconstituição do zero e uma reparação financeira por dano moral.

A sentença foi de improcedência, realçando a importância da figura do docente.

Houve apelação.

Na sustentação oral, o advogado do estudante registrou, da tribuna, que - sentado ao fundo - seu cliente estava presente à sessão. E pediu licença para ler versos rimados, que seriam uma criação da própria turma universitária para criticar o professor exigente:

“Escola sem ´es´ é cola...

Escola sem ´cola´ não há.

Se tirar a ´cola´ da escola,

A turma não passará!”.

A turma julgadora entendeu “cabível e legítima a punição aplicada, inexistindo ato ilícito praticado pela instituição de ensino, a despeito de o fato ter, ou não, gerado percalços, aflições e frustrações ao aluno”.

Sobrou uma reprimenda ao advogado. O relator deixou consignado que “versinhos de bancos escolares não são fundamentos jurídicos e nem substituem ensinamentos doutrinários, tampouco pesquisa jurisprudencial”.

O estudante repetiu o semestre.


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