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Espaço Vital, terça-feira, 30.11.
(Próxima edição: sexta-feira, 03.12)
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Aviso de utilidade pública



CHARGE DE GERSON KAUER – DIVULGAÇÃO EV / JC

Imagem da Matéria

O Gervásio e a Angelina mantinham união estável, havia quatro anos. Por essas coisas da vida, a relação esfriou. Certa tarde, ela resolveu pular a cerca. Azar dela, foi flagrada e delatada por um amigo do cônjuge. Os companheiros, então, resolveram separar-se e tocar a vida individualmente.

Coincidência foi que, três semanas depois, ambos se viram num bailão. Ainda irado com o adultério, Gervásio subiu ao palco e pediu ao dono da banda que fizesse um “brake”, porque precisava “transmitir um aviso de utilidade pública”.

Foi então ao microfone, e desfilou sua bílis de descornado, com o dedo em riste apontando para a mesa 12: “Senhoras e senhores, peço um minuto de atenção. Quero dizer a vocês que ali se encontra, com vestido decotado lilás e cabelos amarelecidos, uma tal de Angelina, que hoje comemora seu aniversário. Eu não vim pedir que entoem o ´Parabéns a Você´, mas quero apenas dizer bem alto que...ela é indigna de ser tratada como mulher, porque me traiu”.

Os convivas explodiram em vaias, risadas e apupos. Veio a segurança e retirou Gervásio de cena. No dia seguinte, num telejornal, uma emissora registrou o inusitado, usando imagens tomadas por um celular.

Poucos dias depois, Angelina foi a Juízo, com uma ação por dano moral, contra seu ex e contra a empresa de tevê. Na audiência, Angelina compareceu com a mesma indumentária da noite do incidente e, no depoimento pessoal, se justificou para o sisudo juiz: “Eu tava quieta assim, na minha, no meu direito de comemorar o meu aniversário”...

Veio a pandemia, a ação parou. Afinal, a sentença deferiu reparação moral de R$ 5 mil para a mulher, ”porque houve, pelo ex-companheiro,  uso imoderado e desproporcional da reação, injustamente violando a intimidade, a vida privada e a honra da requerente”.

Contra a emissora de tevê, a ação foi improcedente, porque não houve abuso do direito de liberdade de expressão, tendo se limitado a transmitir um fato insólito, mas verdadeiro. Porém o juiz deixou um recado: “Descabe ao Poder Judiciário sindicar a qualidade de matérias jornalísticas, aferindo se são, ou não, de bom gosto”...

Na semana passada transitou em julgado. (Os nomes usados neste texto são fictícios.)


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