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Nossa próxima edição será postada na terça-feira 1º de fevereiro de 2022

As causas da tragédia com o avião da Chapecoense



Foto: Cacspotter

Imagem da Matéria

O 2933 foi um voo charter operado pela companhia LaMia, a serviço da Associação Chapecoense de Futebol, proveniente de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, com destino ao Aeroporto Internacional José María Córdova, em Rionegro, Colômbia. Na noite de 28 de novembro de 2016, às 21h58 (horário local da Colômbia) a aeronave caiu perto do local chamado Cerro El Gordo, quando fazia os procedimentos de aproximação para o pouso.

As causas – segundo as conclusões oficiais – foram “a perda de controle devido a esgotamento do combustível, falha humana, descumprimento de protocolos de abastecimento”.

O avião conduzia 77 pessoas a bordo: atletas, equipe técnica e diretoria do time brasileiro, jornalistas e convidados, que iriam a Medellín, onde o clube disputaria a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional. Entre passageiros e tripulantes, 71 pessoas morreram na queda do avião e seis foram resgatadas com vida.

Do total de mortos, vinte eram jornalistas brasileiros, nove dirigentes do clube, incluindo o seu presidente, dois convidados, quatorze da comissão técnica, incluindo o treinador e o médico da equipe, dezenove jogadores e sete tripulantes. Sobreviveram quatro passageiros e dois tripulantes. Pelo número de vítimas, a tragédia foi a maior da história com uma delegação esportiva e a maior do jornalismo brasileiro.

A rota foi operada em um British Aerospace 146 (Avro RJ85), equipado com quatro motores, tendo autonomia de três mil quilômetros e capacidade para até 112 passageiros e nove tripulantes.

A aeronave teve seu primeiro voo em 26 de março de 1999, contando, portanto, no dia da queda, com 17 anos e sete meses de atividade. Em 30 de março de 1999, foi vendida para a Mesaba Airlines dos Estados Unidos; em 18 de setembro de 2007 passou a ser operada pela companhia de voos domésticos irlandesa CityJet; finalmente, em 16 de outubro de 2013, teve pela primeira vez seu registro pela LaMia.

A Línea Aérea Merideña Internacional de Aviación – com o nome fantasia LaMia - foi fundada em 16 de agosto de 2010, com uma cota inicial do governo do estado venezuelano de Mérida, de cinco milhões de dólares. A empresa, que teve seu registro suspenso depois do acidente fatal, era comandada pelo economista e empresário venezuelano Ricardo Albacete e estava adquirindo três aeronaves Avro-RJ85, incluindo a acidentada (única que estava em operação na época do acidente).

A empresa - oferecendo preços muito abaixo da concorrência, até 40% mais reduzidos - rapidamente especializou-se em transportar equipes de futebol por todo o continente.

O time brasileiro da Associação Chapecoense de Futebol viajava no dia 28 de novembro de 2016 para o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana de 2016 contra o Atlético Nacional em Medellín, na Colômbia, que seria realizado dois dias depois. Ainda no Brasil, a equipe tentou, a princípio, fazer o voo saindo do aeroporto de Guarulhos direto para Medellín. O pedido foi indeferido pela ANAC de acordo com a legislação vigente, com base no Código Brasileiro de Aeronáutica e na Convenção de Chicago, que permitem operação apenas de empresas sediadas na origem ou no destino.

O trajeto foi feito, desse modo, em duas etapas: um voo comercial pela companhia aérea boliviana BoA partindo de Guarulhos às 15h15, no horário de Brasília, e chegando a Santa Cruz de la Sierra na Bolívia três horas depois, e o trecho final realizado em um voo fretado pela empresa LaMia. Integrariam a comitiva do time o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, que não embarcou junto com a comitiva, e dois responsáveis pela logística do clube já se achavam na Colômbia, aguardando a chegada do voo.

Por volta das 22h, no horário local da Colômbia, o piloto relatou à torre de controle que o avião apresentava problemas elétricos e declarou situação de emergência, quando voava entre os municípios de La Ceja e La Unión. O contato entre a torre de controle e a tripulação foi perdido às 22h15, entre as cidades de La Ceja e Abejorral. Pouco depois, o avião caiu ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, arredores de Medellín, em um monte chamado Cerro El Gordo, de 2.600 m de altitude. Em pouco tempo, as autoridades identificaram o local da queda. Helicópteros foram inicialmente incapazes de chegar aos destroços devido à névoa densa, e o acesso dos socorristas da Força Aérea da Colômbia teve que ser por terra.

Depoimentos

A comissária de bordo Ximena Suárez, sobrevivente, declarou que, pouco antes da queda, as luzes da aeronave se apagaram de repente, e então entre quarenta ou cinquenta segundos depois caiu.

O técnico de voo sobrevivente, Erwin Tumiri, disse dois dias depois do acidente que somente conseguiu ficar vivo porque seguiu todos os protocolos para tal ocasião: ficara em posição fetal, com malas entre as pernas. Segundo ele, ocorreu um pânico total no interior da aeronave, com gritaria e pessoas saindo de seus assentos.

Entretanto, alguns dias depois, Erwin desmentiu essas informações em entrevista dada à rede de rádio Bluradio de Bogotá, afirmando que até o exato momento do impacto, nenhum passageiro sabia que havia uma situação de emergência, sem qualquer aviso da tripulação, e que todos estavam apenas preparados para a aterrissagem que havia sido anunciada.

O primeiro passageiro a ser resgatado e chegar ao hospital de La Ceja foi o lateral Alan Ruschel, um dos jogadores que estavam a bordo da aeronave. Mais tarde, foram encontrados com vida o goleiro Jakson Follmann, o jogador Neto, a comissária Ximena Suárez, o jornalista Rafael Henzel e o técnico de voo Erwin Tumiri.

Das vítimas fatais, entre passageiros e tripulantes, uma era paraguaia, outra venezuelana, cinco eram bolivianas e o restante era de brasileiros.

Carlos Valdés, diretor do Instituto Médico Legal de Medellín, declarou que todas as 71 vítimas fatais haviam sido identificadas. Ele também informou que a causa da morte da maioria delas foi “grave lesão em ossos e vísceras”, provocadas pela queda.

A morte do radialista

Quase dois anos e meio depois, em 27 de março de 2019, o sobrevivente Rafael Henzel, radialista, faleceu em sua cidade, aos 45 de idade. Ele teve mal súbito durante uma partida de futebol em Chapecó. Ele trabalhava na ocasião na Rádio Oeste Capital.

Jakson Follmann (um dos atletas sobreviventes), expressou nos atos fúnebres que “a gente tenta encontrar respostas, compreender o que está acontecendo, mas Deus é o único ser que sabe o que acontece e o que está por vir”. E dirigindo-se como se Henzel estivesse vivo ali presente, despediu-se: “Deus lhe receba e conforte o coração de toda sua família. Deixará saudades do profissional, do pai, esposo e amigo que eras”.


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