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Edição de sexta, 20 de maio de 2022.
(Próxima edição: terça dia 24 de maio.)
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O advogado bate à porta da casa do juiz...



Arte EV sobre foto VISUAL HUNT – Imagem meramente ilustrativa

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Eram outros tempos, os advogados eram destemidos ocupando os espaços legais que lhes eram destinados. Jamais se ouvia: “Mas será que a juíza não ficará braba comigo?”...

Sequer se imaginava o que hoje denominamos de juízes robôs, ou justiça terceirizada.               

Os membros da magistratura tinham claro que não eram funcionários públicos qualificados manejando a burocracia forense. Entendiam-se como integrantes de um Poder que interfere na vida, na propriedade e na liberdade dos cidadãos. O Judiciário pela repetição das decisões altera costumes.

O Doutor Ney Fayet, detentor de uma carreira jurídica brilhante, tanto no Ministério Público do RS, como na advocacia como no magistério, foi contratado por familiares de um acusado que fora preso em uma cidade da fronteira gaúcha.           Acompanhado pelo seu filho, Ney Fayet Júnior, que dava os primeiros passos no Direito, iniciou o trajeto de mais de 500 km.

Era uma época com parca telefonia, estradas precárias e... processo escrito. Era um mundo tangível e não virtual.

Depois de várias horas os dois advogados – pai e filho - ingressam no foro que estava encerrando o expediente, restando apenas um funcionário no cartório.

O Doutor Fayet levava consigo o “remédio heroico” do habeas corpus.

O servidor forense, sem esboçar incômodo pela surpresa que fugia ao ordinário, foi gentil e respeitoso, tranquilizando-os, pois de imediato encaminharia ao magistrado a petição.

O experiente advogado interveio, afirmando que preferia ele mesmo despachar com o magistrado, tanto que lhe fornecesse o endereço da sua residência. Foram, bateram à porta e foram recebidos pelo juiz que, após as apresentações, convidou-os a ingressarem na sala de estar da morada.

Sentados diante do juiz atento, ponderaram acerca dos fatos e da prisão. Ao final da exposição o Dr. Ney, enfatizou: “O meu cliente não dormirá uma noite sequer no presídio”.

O juiz retirou-se para uma outra sala, solicitando que aguardassem. Após algum tempo ouviram as batidas do teclado de uma máquina de escrever.

Ao retornar o magistrado anuncia: “Doutor o seu cliente não dormirá no presídio, pois deferi a medida”. Porém, temos um problema: não sei redigir o alvará de soltura, pois a tarefa é destinada a um servidor”.

Com a consciência do dever de advogado quase cumprido, o Dr. Ney ponderou: “Doutor, eu sei redigir - e se o senhor autorizar, eu faço já.”

Com o assentimento do magistrado, fez com que a velha máquina Remington produzisse uma ordem de soltura.

Missão cumprida.

Hoje, mesmo com a facilidade dos meios empregados no aparelho judiciário, muitas vezes nos deparamos com plantões insensíveis e com barreiras


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