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Nossa próxima edição será postada na terça-feira 1º de fevereiro de 2022
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E precisava tudo isso?...



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Meia-noite de uma sexta-feira, Sua Excelência e a esposa – ele cinquentão, ela quarentona bem conservada - tentam apimentar o relacionamento sexual. Por isso combinam que ela, em decúbito ventral, será algemada num dos decorativos vãos da cabeceira da própria cama do casal. Tudo, então, se ajusta – digamos - em rara normalidade.

Meia hora depois, no momento de soltar as amarras - algo dá errado. O douto homem faz tentativas, usa uma faca, um garfo, emprega até mesmo uma tímida serrinha de cortar madeira. Tudo em vão, a mulher segue firmemente presa. Eles decidem esperar o amanhecer para pedir ajuda. Algumas horas angustiosas passam lentamente.

Às 6 horas da manhã os dois chegam a um angustiante consenso. O homem, então, dispara uma ligação. Do outro lado da linha, a telefonista do 190 parece não acreditar: “O senhor prende a sua mulher na cama e está nos pedindo ajuda para soltá-la?” – questiona a cabo PM.

Com a insistência do homem - e a convincente confirmação do pedido pela própria mulher no celular - a telefonista encaminha a solução, mas faz uma advertência: “Vamos despachar uma guarnição ao local, mas o casal fica advertido de que haverá prisão em flagrante se isso for um trote”.

Dez minutos depois, com a chegada de dois PMs, o inusitado se confirma. As algemas são visíveis. A esposa, vestindo peça única, está imobilizada, mãos entrelaçadas acima da cabeça, mas firmemente presas à cabeceira. A mulher denota também evidente constrangimento.

O soldado usa uma chave universal, própria para abrir algemas e logo solta a mulher. Antes de se retirarem, os policiais perguntam se ela pretende representar contra o homem. A resposta é tranquilizadoramente negativa.

Ao encerrar a ocorrência – cujo atendimento prático não dura mais do que cinco minutos - o sargento liquida com qualquer controvérsia:

- Avalio que foi uma relação íntima exagerada, e afasto totalmente a hipótese de cárcere privado – diz, pelo rádio da viatura, ao oficial que está na chefia no centro de operações.

Na segunda-feira seguinte, o comandante do batalhão – no uso de suas atribuições – determina que o caso seja tarjado como sigiloso.

E não se fala mais nisso...


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