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Edição de sexta, 20 de maio de 2022.
(Próxima edição: terça dia 24 de maio.)
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Cofrinhos femininos



CHARGE DE GERSON KAUER/DIVULGAÇÃO EV/JC

Imagem da Matéria

A grande rede de 45 lojas e 700 colaboradores tinha, como um de seus gerentes, um homem quarentão que não respeitava as subordinadas mais novas. A petição inicial da ação trabalhista de uma ex-operadora de caixa revela que “ele era abusado, fazendo as funcionárias passar por situações vexatórias; chamava-as de 'gostosas'; e sempre dizia querer intimidades com o ´cofrinho feminino´”.

Na audiência, o juiz pede à reclamante: “Explique melhor essa questão do ´cofrinho feminino´.

A resposta é imediata: “Além de sempre tentar se esfregar na gente, ele apontava para uma parte do nosso corpo e dizia que cobiçava o nosso ´cofrinho´. Falava em ´cofrinho´ seguro, símbolo do prazer, capaz de nos garantir dinheiro extra. Dizia ainda que queria colaborar com a produção, que nossos ´cofrinhos´ eram misteriosos, obscuros, mas produtivos”...

O magistrado fez um sinal de que bastava. Os depoimentos das testemunhas foram na mesma linha. Uma, porém, especialmente detalhou: “Um dia, ele me disse que pagaria o que eu pedisse, para poder ingressar nas profundezas do meu ´cofrinho´”...

A sentença foi de procedência da ação, deferindo reparação moral de R$ 50 mil.

O caso chegou ao TRT, que entendeu exagerado o valor, reduzindo-o para R$ 30 mil, mesmo reconhecendo que a conhecida empresa falhou “ao designar para atuar como gerente, pessoa despreparada, caracterizada, de maneira uníssona nos autos, como assediador sexual”. Transitou em julgado.

Há poucos dias, duas novidades: 1) O apreciador dos ´cofrinhos´ femininos foi demitido, sem justa causa; 2) A empresa pagou a conta atualizada da condenação: R$ 36 mil.

Interessante dinheiro para ingressar na poupança da reclamante. Mas não no seu ´cofrinho´.


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