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Edição de sexta, 20 de maio de 2022.
(Próxima edição: terça dia 24 de maio.)
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J’accuse a direção, jogadores e chapas-brancas! J’accuse! Em lágrimas!



Arte EV

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Caímos. De novo! Só a literatura para explicar.

Em 1898 o escritor Emile Zola escreveu uma carta ao presidente da República, intitulada J’ACCUSE (eu acuso). Ele acusava um conjunto de autoridades pelas injustiças cometidas contra o capitão Dreifuss, acusado, injustamente, de traição.

Hoje, no estertor do Jus Azul, já que, na segunda divisão, a coluna sairá do ar (sim, qual é o sentido de escrever sobre a Segundona?), lanço o meu J’accuse. Eu acuso.

“Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice”. Meu dever é de falar e não de ser cúmplice, dizia Zola.

Assim, aqui vai o meu J’accuse!

J’accuse o presidente Romildo Bolzan por omissão, por ter permitido tudo isso; avisos não lhe faltaram deste escriba e dos antichapabranquistas; todas as semanas eu avisava.

J’accuse toda a direção por terem seus integrantes permitido que se instaurasse o reino da promiscuidade entre o Renato Portaluppi, e os jogadores, deixando que o treinador agisse como se presidente fosse.

J’accuse os conselheiros que, como deputados representantes do povo gremista, quedaram-se silentes vendo o navio naufragar. Dia a dia.

J’accuse o Conselho Deliberativo que tem poder e não usou para impedir que chegássemos a esse vergonhoso caos.

J’accuse Renato Portaluppi, que indicou dezenas de bondes, velhos e novos (pernas-de-pau), para a direção contratar, (e)levando a folha de pagamento à fortuna de R$ 14 milhões e degenerando o time. Já não era um time; era um bando de jogadores.

J’accuse os aproveitadores e puxa-sacos que, como sistemistas de uma grande indústria, andam sempre “alrededor”, auxiliando na formação de uma bolha que cega a direção.

J’accuse as direções que construíram um Estatuto que mais parece a constituição da Coreia do Norte, permitindo o florescimento de uma nomenklatura (com k) no Clube.

J’accuse os chapas-brancas, essa praga que contamina qualquer análise no futebol.

J’accuse os chapas-brancas que nos chamaram - a mim e tantos críticos - de pecadores e secadores e maus gremistas. Olha aí: nós estávamos certos! Eles, errados. Erradíssimos. Pior: há chapas-brancas que já dizem que querem Renato como técnico na segunda divisão! É praga. É negacionismo. É encosto.

J’accuse!

Por derradeiro: está na hora de renovar. Mudar os estatutos. Vamos parar com esse estilo monárquico de governo do clube e do patrimonialismo (no sentido que Raimundo Faoro dá à palavra) das listas para o Conselho.

Alteremos os critérios. Deixemos que novos sócios deem sua contribuição (não somente com a mensalidade).

Há advogados, médicos, professores, intelectuais, profissionais de vários setores que não conseguem nem chegar próximo de uma lista do Conselho. Que parece o Centrão da política.

Eu mesmo tentei uma vez. Baita frustração. Eu e meu grupo (aí já há um problema, porque no Grêmio precisa ter grupo; sem grupo, nem pensar!) fomos trucidados pela máquina do “sistema”. Sim, o sistema é f....!

Definitivamente, o Grêmio não pode ser como o senado do Império. Hereditário e patrimonialista.

Democracia, já!

Meu dever é de falar e não de ser cúmplice, dizia Zola.

Post scriptum: a ironia e o sarcasmo de tudo foi o quarto gol do Grêmio feito por Douglas Costa: deu tchauzinho para a torcida. Claro. Depois de jogar nada ou muito pouco...agora o gol já não valia nada.

Tchau, Douglas e jogadores desse naipe. Já vão tarde. Vieram para ganhar dinheiro facinho.

Fui duro na coluna? OK. Fui. Hay que ser duro. E antipático. Afinal, não sou oportunista. Nem chapa-branca. Nem sistemista. Quanto mais eu criticava o “sistema”, mais adeptos e leitores eu perdia. Queriam se enganar. Deu nisso. Meu lema: “NÃO BRIGUEM COM O MENSAGEIRO”!

Chapas-brancas são como os índios no diálogo Zorro e Tonto.

Zorro pergunta: “ - O que me diz sobre os índios que vem aí”?

E Tonto responde: “São muitos”...

Sim, são muitos!


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