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Edição de terça, 4 de julho de 2022.
(Próxima edição: sexta dia 8.)
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A foto da sala de audiências



Camera Press

Imagem da Matéria

Interior do Rio Grande do Sul, uma cidade pequena com menos de dez mil habitantes, década de 70, em curso a ditadura militar. Era terra natal de um dos mais prestigiados juízes do Trabalho, com papel relevante na passagem da competência administrativa para a judicial.

Ele foi nomeado magistrado com jurisdição no seu município e nos da região. Ajudado pelas forças reinantes, teve uma notável carreira. Foi homenageado pela comunidade - advogados e servidores - com a aposição da sua foto na sala de audiências.

Dentre as suas características, consta que tinha uma irrefreável atração pelo sexo oposto.

Como em todas as cidades do interior de então, havia uma “zona” – aquela das moças de vida fácil – um lugar que abrigava também os boêmios solitários na madrugada.

Anos após a inauguração do quadro com a foto, um juiz mais novo, recente na carreira, depara-se com um pedido de horas extras por um garçom da tal de “zona”. Eram inúmeras horas adicionais o que projetava a jornada até as 5 horas do dia seguinte ao início.

O pleito judicial mexeu com a imaginação do jovem magistrado que ponderou: “O senhor está inventando, pois aqui, ainda mais no inverno, não tem viva alma na rua”.

Temendo a reação, o pacato garçom pede a palavra e retruca: “Doutor, tanto é verdade que esse aí da foto, que embeleza a parede da sala de audiências, era sempre o último a sair”...

Por conveniência ou respeito, o juiz que colhia o depoimento não insistiu no tema.

Direcionou apenas uma certeira pergunta: “Ele fumava?”

Sem vacilar o garçom sacramentou: “Sim, fumava muito. E sempre cigarros longos.

O garçom ganhou as horas extras.


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