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Edição de terça, 4 de julho de 2022.
(Próxima edição: sexta dia 8.)
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Instinto selvagem durante a prestação jurisdicional



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Um filme que marcou na memória - especialmente por uma cena arrojada com a estonteante Sharon Stone – foi Instinto Selvagem.

As reações dos policiais que presenciaram a mais famosa cruzada de pernas do cinema mundial, foram engraçadas: constrangimento e paralisia diante da bela e poderosa investigada.

Com muito menos luxo e sofisticação, no interior do Rio Grande do Sul também foi protagonizada a picante cena. No município, a população era de descendentes alemães. Como dito reservadamente pelos juízes que por lá passavam, havia uma Xuxa em todos os locais: farmácias, supermercados, bares e restaurantes e sem exclusão, na Justiça.

Um juiz recém chegado, bem relacionado com a advocacia, foi convidado para a solenidade de entrega das “carteiras” de inscrição na OAB, em solenidade festiva para apenas duas jovens advogadas. No ato formal, ele foi fulminado por um profundo e estimulante olhar de uma delas, a loura. A partir daí as coincidências de encontros ao acaso se somaram. Almoçando, jantando, caminhando, ele sempre encontrava a novel causídica.

De parte a parte eram trocados olhares, sorrisos e conversas do tipo “cerca Lourenço” – aquela coroa de louros para os vencedores na Roma antiga.

O magistrado temia em dar curso ao caso diante da repercussão que poderia ter na cidade. A comunidade de advogados era pequena, conservadora e todos sabiam de todos.

No dia anterior ao seu retorno para a Capital, despachando no gabinete, o juiz do Trabalho recebe um telefonema. A advogada se identifica e pergunta se ela poderia assistir as audiências da tarde. Obviamente, ele respondeu que sim.

Após as primeiras audiências, com a sala vazia de assistência, ingressa na sala a advogada – bem trajada e exalando um perfume que tomou conta do ambiente. Ela vestia uma saia relativamente curta,

Sentou-se no banco à frente da mesa onde estavam o juiz (à época presidente), os classistas e o escrevente. Todos discretamente acompanhavam com os olhos a jovem.

Em meio a um depoimento cansativo, ela lentamente cruza as pernas, repetindo a famosa cena em todos os seus detalhes e revelações.

Entre pigarros e reacomodações nas cadeiras, a “solenidade” teve nervosa sequência.

O ousado gesto foi espaçadamente repetido por mais duas vezes.

E o restante da história apenas o juiz e a Sharon gaúcha sabem. Tudo indica que prevaleceu o instinto selvagem.


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