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Edição de quinta, 4 de agosto de 2022.
(Próxima edição: terça dia 09.)
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Lotário, o curioso impertinente, e a síndrome da desgraça tricolor



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Em Don Quixote há um conto chamado ´A novela de um curioso impertinente´. Anselmo era muito rico. Bonitão. Traçava todo mundo. Casou-se com a moça mais bonita. E mais rica. O que mais poderia querer?

Mas não estava feliz. Contratou seu amigo Lotário para testar a fidelidade da moça. Ela o rejeitou. Mas a raposa vai ao moinho e... Lá se foram postos os cornos em Anselmo. Pelo próprio amigo.

O Grêmio era feliz. Multicampeão. Finanças em dia. A direção contratou vários Lotários. Um para contratar jogadores ruins e caros. Uns, indicando jogadores faixas (isto é, amigos...) Outros Lotários fazendo contratos lesivos ao time. A direção aprovando rescisão lesiva ao clube.

Mas é porque havia muito dinheiro. Afinal, Anselmo era muito rico. Deu-se ao luxo de levar para a disputa do mundial um jogador já vendido – e de má vontade - que justamente se abaixou na barreira na hora em que por ali passou o gol de Cristiano Ronaldo. Bingo.

O fator Anselmo é terrível. Que o digam os amigos-Lotários (Emerson Fake, os goleiros que vieram, aquela leva de jogadores do amigo Lotário-Renato). E os Lotários levaram o Grêmio à segunda divisão e a ter um time de nabas. Cada três não dão um. Mas não dão, mesmo.

Bom, na novela, Anselmo cai em desgraça. O final é trágico. Tudo porque estava feliz demais e achou que tinha que contratar amigos.

Como no Grêmio: conselheiros, diretores, etc. E muitos sistemistas. Amigos são necessários. Mas não para administrar um clube e todos os quejandos alrededor.

No futebol, o Grêmio, depois da desgraça da nova queda para a segunda divisão (sem contar os fiascos da Copa do Brasil e Libertadores e Sul Americana), formou um time ruim. Time preguiçoso. Jogadores que não conhecem os fundamentos mínimos como cobrar escanteios e faltas.

Aos 20 min do primeiro tempo o Lotário-Diogo cobrou tão mal a falta que armou um contra-ataque. Minutos depois, fizemos um gol...contra.

Aos 8 min do segundo tempo outra falta. Quem bate? O Lotário-Diogo. E o Lotário-Campaz cobrou dois escanteios que atravessaram a área...e o campo. Um homem desses não treina? E o que dizer do aprendiz de Lotário Elias? Tsk tsk.

Burros! Não conhecem fundamentos de futebol? Ninguém os ensina? Quem contratou essa gente? E quem é esse Ricardinho? Isso sem contar que temos um jogador que tem certeza que é... Cristiano Ronaldo.

O Grêmio seleciona jogadores na Estação Rodoviária de Porto Alegre?

Quando o jogador que entra em substituição é melhor do que o que começou o jogo, é porque foi mal escalado. Quando é pior, tem de mandar embora os dois. O que adianta fazer cinco substituições com uma naba atrás da outra? Empilhar substituições?

A novela de um curioso impertinente. O Grêmio estava bem. E resolveu contratar Lotário. Que gerou outros Lotários. A novela terminou em tragédia. Espero que o Grêmio real não acabe do mesmo modo.

Como já falei, Ricardo Wortmann e eu queremos ser da diretoria do Grêmio. Só para blindar o clube contra o “fator Anselmo”. Ou seria “fator-Lotário”?

Moral da história: o clube vai bem? Não esbanje. O time vai mal? Não atire dinheiro pela janela. Não aceite sugestões tipo “conheço esse jogador porque jogava tênis no meu condomínio”...

Sobretudo: se você está bem como Anselmo, não contrate um Lotário. O desastre é certo.

No fundo, a transformação dos clubes em empresas tem como causa o excesso de Lotários-amigos-de-Anselmo. Não é por mal. Mas faz parte do “ser das coisas”. Por isso, a palavra-chave é accountabillity. Que quer dizer “transparência”. “Prestação de contas”. Para não vermos um jogador de 20 milhões cobrar dois escanteios que atravessaram o campo. E etc. Etc. Etc.

Mas parece que logo, logo, teremos eleições. E as “famiglias” já estão organizadas. Chapões. Vários. Você não faz parte de nenhum deles? Que pena.

Ou tornamos o clube transparente ou o transformemos em empresa. Com Anselmos e Lotários, a coisa não vai.


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