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Edição de terça, 4 de julho de 2022.
(Próxima edição: sexta dia 8.)
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Segunda Divisão: cuidado para não nos acostumarmos...



Foto Clube Quindim

Imagem da Matéria

Escrevo este Jus Azul em viagem pelo mundo. Sem saber o resultado do grande clássico Ituano x Grêmio. Aqui pela Europa não se falava de outra coisa. “E como será o clássico?”...

Tem um poema de Marina Colasanti, intitulado “Eu sei, mas não devia...”.

Diz mais ou menos assim: “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão”.

Prosseguindo:

“A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem”.

Mais:

“A gente se acostuma a comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia... Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim-de-semana. E se no fim-de-semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado”.

E o arremate:

“A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma”.

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Pois é. Espero que o Grêmio não se acostume com esse time. Não se acostume com a segunda divisão. Não se acostume com esse jornalismo. Com essa direção. Com esse conselho.

Não, não nos acostumemos!


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